(Parte integrante do livro Cuca Fodida)
Gertrude estava
apaixonada. Há quatro meses que toda manhã às 9 horas em ponto entrava na loja
de bolinhos aquele homem alto e robusto que fazia suas pernas estremecerem e o
sangue subir ao seu rosto. Usava um terno e um chapéu cinza, com um lenço
vermelho no bolso do sobretudo. Abria sempre a porta da loja com delicadeza, fazendo
o sino bater suavemente sobre a sua cabeça como se fosse uma música a anunciar
sua chegada, dava exatos 3 passos como um rei até a caixa, a olhava com um
olhar fixo, magnético, que a desequilibrava, em seguida dava-lhe com aquela sua
voz forte um bom dia e produzia, através daqueles seus lábios firmes, o nome
dela - o que a fazia estremecer ainda mais -, por fim, fazia o seu pedido.
Inicialmente pedia um bolinho de nozes, mas com o tempo ela começou a
sugerir-lhe outros gostos, até chegar ao que o encantou por completo: um
bolinho de avelã com mousse de chocolate e baunilha. Depois de comprar, ele lhe
dava um sorriso e partia de volta a sua vida encantada, a deixando ali a
esperar a sua volta no dia seguinte.
