Chica, a viadeira das espírita, e seus três amores

 (Parte integrante do livro Cuca Fodida)

Chica nascera em 37 de outubro de 1949. E desde o primeiro momento sempre se soube que seria uma eterna viadeira de espírita, pois lá ao seu lado, ao nascer, já estava a preta velha, mãe Vava, uma autentica espírita, e Chica a podia muito bem viader. Mãe Vava sempre estaria ali para lhe dar conselhos sobre as coisas profundas do mundo das espírita. Chica ia sair, e mãe Vava lá estava a lhe dizer: Vai de moletom, minha Chica! E Chica a isso respondia: ah… mas não sei. E mãe Vava lhe dizia: Vai de moletom, minha Chica! E Chica a isso respondia: ah… mas não sei! E mãe Vava, chamava a espírita Dornelinda, a gaúcha milhosa, sem metade de suas estriburias faciais, o que até certo ponto assustava a pobre da Chica, e então lhe dizia: Vai de moletom, minha Chica, ou Dornelinda vai lhe fazer vela nos ouvidos durante toda a sambiquice. E Chica por fim concordava.

Contos de Fada no Rio de Janeiro: João e Maria

(Parte integrante do livro Mantenha a calma, não há rinocerontes neste livro.)     

Há aqueles que acordam toda manhã e tem muito orgulho de terem a grande habilidade de não defecarem e urinarem em seus próprios pés e há aqueles que acordam toda manhã e tem muita vergonha de ainda não terem unido a Grécia, conquistado a Anatólia e expandindo o seu império até o rio Ganges. João e Maria, dois irmãos gêmeos, por uma série de inexplicáveis acidentes faziam parte do segundo grupo, diferente dos seus pais e da maioria das pessoas que se encontravam ao seu redor. Uma série de acidentes inexplicáveis, pois era difícil explicar a inteligência daqueles dois jovens habitantes de um barraco no morro do Zô, no centro do Rio de Janeiro.

Deutschland Dancefloor Klub

(Parte integrante do livro Mantenha a calma, não há rinocerontes neste livro.)      

Não me lembro exatamente como acabei lá, só que estava alcoolizado. Arrastado por alguns amigos, talvez. Se sim, não os vi mais lá dentro. Tinha cabelo longo e liso, o que me colocava sem eu saber numa das castas altas do lugar. Meu cabelo fazia as pessoas me oferecerem bebidas grátis de diferentes cores, virem conversar comigo sem razão aparente e deixava as garotas do lugar molhadas entre as pernas. A primeira garota com quem fiquei foi no segundo andar, lugar escuro e esfumaçado. Fui até ela, pois era uma cópia idêntica de uma garota que me deixava ereto na escola. Uma cópia idêntica uns 20 centímetros a menos - melhor, podia facilmente levantá-la. Nunca fiquei com a original, me deleitei com a cópia 20 centímetros mais baixa. No meio de apertos, ela parou e apontou para amiga, “ah, ela está sozinha, não posso deixá-la assim sem ela ficar com ninguém”, e disso eu entendi o que qualquer pessoa normal entenderia nessa situação, que eu também deveria ficar com ela, então eu fiz isso. Mas queria mesmo é ficar com a cópia da que me deixava ereto na escola, logo voltei para a outra. “isso é assim para você, fica pulando de uma para outra!” “mas você me disse para fazer isso!” “aí... ok, ok!” e ficamos os três o resto da noite. Alguns meses depois descobri pelo Orkut que virara lésbica. Não foi minha culpa!

Eu, eu mesmo e eu de novo - Parte II: Complexo de Fevereiro

Aqui segue mais um capítulo da segunda parte do livro Eu, eu mesmo e eu de novo.


Parte II: Eterno Retorno, de novo.


57. Complexo de Fevereiro


Continuo indo para as festas Veneno da Casa da Matriz, desesperadamente, tentando capturar minhas experiências passadas. Uma noite, indo no bar no primeiro andar, esbarro com Samanta, ela está doida de bêbada, eu também, falamos rápido, pego seu contato, ela segue. Continuamos a conversa no facebook, ela faz cinema, muito assunto para falar, divido algumas das minhas criações. Tento marcar um encontro, ela sempre desconversa, diz que está ocupada. É outubro, depois da terceira vez que chamo ela para sair e não dá em nada, desisto. Dezembro, outra festa na Casa da Matriz, vejo ela nos confirmados, quero cruzar com ela.