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terça-feira, julho 05, 2011

Nunca aposte sua cabeça com a turca

Seu pai estava morto, o que começara como uma simples disputa entre sete sapatarias rivais entre as ruas do Ouvidor, da Quitanda e do Mercado, acabara em seu assassinato. E agora, ele Cândido deveria tomar os negócios da famí­lia. Mas o que fazer quando agora para manter sua honra e a honra de sua famí­lia, deveria matar os dois filhos homens da famí­lia Almeida, aqueles que juraram trazer a ruí­na para sua famí­lia. Os dois miseráveis irmãos da bela Gabriela. Como mataria seus irmãos, sem ferir aquela que amava, e que também o amava? Deveria mentir. Candido tomou a única saí­da possí­vel, já que não podia a seu próprio punho confrontar os dois na rua e quebrar seus pescoços, recorreu a magia negra, a magia da velha turca Oja. Antes de conhecer sua amada Gabriela, a sobrinha da velha tinha sido sua amante, e desde que um dia, Oja pegou-o saindo do quarto de Maria, ela profetizou que conhecia sua alma de muitas andanças passadas e que não importe o que acontecesse, ele sempre poderia recorrer a ela.


Oja era turca, de nascida no Império Otomano, ou no que aos poucos se desvanecia dele com as invasões francesas, inglesas e russas. Porém, considerava um insulto ser chamada dessa forma, sempre dizia que sua famí­lia sobrevivia naquelas terras muito antes da sujeira muçulmana chegar, mesmo antes da cristã, e que sua cultura muito superior a ambas ainda existiria ali naquela terra muito depois de sua morte. Qual sua origem? Nisso não se aprofundava, só nos poderes que lhe foram passados de geração em geração pelo conhecimento de seu povo. Poderes que Cândido não poderia compreender, nem sequer cogitar as capacidades quando foi pedir sua ajuda. Pediu para Oja matar os dois Almeidas, e matá-los de forma que ninguém pudesse ligar a morte a ele. Ela lhe disse que seu pedido iria lhe custar, não dinheiro, mas algo mais precioso, que nem ela em si poderia determinar, só o destino diria. Ele não levou a sério e aceitou. Cândido fora criado por uma escrava que lhe endocrinara no mundo da magia, que o abriu as portas para suas possibilidades apesar de ele não ter necessariamente prestado atenção em todos os seus ensinamentos. E agora através de Oja, ele atravessava realmente essa porta. Claudio, o irmão mais velho, morreu dormindo. Pelo menos isso foi o dado oficial, enquanto seus escravos diriam que fora na verdade um demínio ao notar as marcas de duas pequenas mãos de três dedos em seu pescoço. Julio, o mais novo, simplesmente desapareceu. Estava feito, sua honra estava mantida, mesmo que ninguém soubesse, e as lágrimas da bela Gabriela não o culpariam.

A guerra entre as sete famí­lias de sapateiros eventualmente acabaria, e logo Cândido se veria com a bela Gabriela, agora sua mulher, em seu colo, enquanto sugava seus grandes seios, entre as mechas vermelhas que lhe caiam sobre o rosto. Seria feliz, feliz pelo menos até a visita do homem de roxo. Estava lá no escritório de sua sapataria, quando sem anúncio, sem nada, ele entrou por sua porta, ou será que nunca entrou e sempre esteve lá, Cândido não sabia dizer. O homem roxo lhe disse que viera lhe cobrar a sua dí­vida, a morte dos dois Almeida. Cândido ficou enfurecido com tal descarado confrontamento – teria Oja lhe traí­do? Mas assim que partiu seus punhos para nocautear o homem roxo, ele lá não estava mais. E Cândido em si não estava mais em seu escritório, mas num quarto em que as paredes queimavam como no inferno. E nesse quarto estava sua amada Gabriela, amarrada contra uma cama. Ela lhe gritava por socorro enquanto pequenos seres humanóides, com três dedos em cada mão, e asas em suas costas, tocavam lascivamente seu corpo. Então, uma porta se abriu, e o homem roxo reapareceu para Cândido. Não lhe disse inicialmente nada, ainda mais com Cândido se jogando aos seus pés e lhe implorando para que libertassem os dois, e que não faria mais pedidos ao demínio. O homem roxo só riu e fazendo o sentar numa cadeira que acabará de surgir no quarto, lhe explicou quem, o que, realmente era. Existia uma razão porque a velha Oja, tão orgulhosa de seu povo e de sua origem, tinha acabado naquela capitalzinha de um império das bananas no novo mundo. Fora expulsa por mexer com aquilo que não devia, e aquilo que não devia eram seus antepassados, uma raça de seres interdimenssionais, que há muito viam a terra para seduzir e impreguinar as fêmeas humanas. Algumas das crias é claro nasciam com traços genéticos que lhes davam os mesmos poderes de quebrar o tempo e o espaço de seus pais. E agora, tendo feito aquele contrato com o homem roxo, Cândido deveria pagar, e pagar com suas mulheres. Agora sua bela Gabriela e depois com qualquer filha que tivessem. Não podendo aceitar isso Cândido mais uma vez tentou atacar o homem roxo. O que o fez após atravessar o seu corpo mais uma vez, cair na frente de uma gaiola, onde a velha Oja se encontrava. Ela lhe disse que havia uma saí­da, um último encantamento que poderia lhes livrar da dí­vida, mas isso lhes tomaria de sua humanidade. Tudo, menos entregar a sua mulher, pensou Cândido. E ela fez o encantamento. Tudo deixou de existir e se reconstruiu numa realidade em que os Almeida ainda estavam vivos e Gabriela morrera de uma tuberculose. Cândido, em si, não defenderia sua honra, perderia a sapataria e morreria casado com a sobrinha de um padeiro, que se tornaria seu chefe. Teria só um filho, Jonas, que se tornaria o dono da padaria e a tornaria numa pizzaria. Isso, logo após ter se casado com Isabela, a filha da sobrinha da turca Oja, cujo pai um ex-sapateiro nunca teve coragem de assumir, para não destruir seu bom casamento. Jonas, viciado em pizzas desde o inicio, passaria esse mesmo gosto para seus filhos e netos. Um neto que por fim faria um documentário sobre a mundialização das pizzas. Um filme que na verdade seria quase composto como um ritual antigo, que sua avó lhe ensinara, um ritual para trazer o amor verdadeiro a tona para quem o fizesse. Antonio quando produzira seu documentário pretendia ganhar o amor de Maria Júlia com ele. Porém o que não sabia, que o tal “amor verdadeiro” não era realmente o do que executava o ritual, mas sim uma última válvula de escape ao qual Oja inserira como uma meme na história de sua famí­lia para que um dia Cândido e Gabriela pudessem mais uma vez ter um ao outro.

Assim, em um cinema após a primeira exibição do filme de Antonio, este não teria Maria Júlia, e pior, sua única cópia em pelí­cula do filme queimaria após a última frase ser dita. Porém, naquela sala, um casal deixaria de ser quem era para ser tomado pelas memórias de Cândido e Gabriela, as memória de uma vida feliz, que tivera de ser apagada afim de não condenar a linhagem de mulheres da famí­lia de Cândido a uma vida de escravas sexuais de seres roxos interdimensionais.

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