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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Bolinhos de Avelã com Mousse de Chocolate e Baunilha


Gertrude estava apaixonada. Há quatro meses que toda manhã às 9 horas em ponto entrava na loja de bolinhos aquele homem alto e robusto que fazia suas pernas estremecerem e o sangue subir ao seu rosto. Usava um terno e um chapéu cinza, com um lenço vermelho no bolso do sobretudo. Abria sempre a porta da loja com delicadeza, fazendo o sino bater suavemente sobre a sua cabeça como se fosse uma música a anunciar sua chegada, dava exatos 3 passos como um rei até a caixa, a olhava com um olhar fixo, magnético, que a desequilibrava, em seguida dava-lhe com aquela sua voz forte um bom dia e produzia através daqueles seus lábios firmes o nome dela – o que a fazia estremecer ainda mais -, por fim, fazia o seu pedido. Inicialmente pedia um bolinho de nozes, mas com o tempo ela começou a sugerir-lhe outros gostos, até chegar ao que o encantou por completo: um bolinho de avelã com mousse de chocolate e baunilha. Depois de comprar, ele lhe dava um sorriso e partia de volta a sua vida encantada, a deixando ali a esperar a sua volta no dia seguinte.

Gertrude era uma mulher sozinha com uns 35 anos de vida. Vivera com a mãe até a morte desta, há apenas 4 anos. Desde então sobrevivera trabalhando sozinha como atendente naquela loja de bolinhos. Afonso, o dono do lugar, era proprietário de várias na cidade. Rico, porém simples, deixava ela lidar com todos os aspectos referentes a administração daquela loja e só aparecia todas as manhãs para entregar as novas remessas de bolinhos.
Gertrude se apaixonara por aquele desconhecido homem desdo primeiro momento que o vira entrando na loja. Pelo menos, era isso o que se dizia no presente momento, se esquecendo que só o realmente distinguira dos outros clientes no momento em que este um dia comentou sobre seu vestido. Era um vestido branco com flores vermelhas e ele notara o quanto esse ficava bem nela. Desde então Gertrude não aparecera mais na loja com outro estilo de vestido senão aquele. Comprara vários com flores de todos os tipos de cores e vivia a espera de um novo comentário, que nunca foi feito.
No iní­cio, ela não esperava que algum dia seu amor fosse compartilhado por ele. Não podia imaginar como um homem como aquele pudesse se apaixonar por uma pobre mulher como ela, como a sua união com ele pudesse ir além do que ela imaginava toda noite ao se tocar em sua cama. Porém, tudo mudou quando ele aceitou com satisfação aquele bolinho de avelã com mousse de chocolate e baunilha. Pois aquele não era um bolinho qualquer, era um bolinho especial. Ele nunca saberia que nas remessas do senhor Afonso não havia aquele tipo de bolinho. Era ela quem o fazia toda manhã, só para ele. Na verdade, fazia dois. Um para ele e um para ela. O seu, ela comia depois do almoço, a fim de se sentir como se estivesse almoçando junto dele. Mesmo assim, o dele ainda era único, pois tinha um ingrediente especial: todo o prazer dela. Toda noite após se tocar, ela recolhia todo o prazer que jorrava por entre as suas pernas e o misturava na massa do bolinho. Por isso é que teve certeza, quando ele comeu com tanto prazer o primeiro bolinho que fez, que os dois eram feitos um para o outro, já que mesmo ele ainda não sabendo, ambos dividiam o seu grande amor todos os dias.
Sua relação porém não era perfeita, já que além de ela ainda não saber o seu nome, ele nem todos os dias lá se apresentava na loja. Havia vezes que sumia por um dia, e só isso já era necessário para que Gertrude se despedaçasse por inteiro. Ela primeiro não aceitava, ficava olhando fixo para a porta da loja, se repetindo até a hora de fechar que ele só estava atrasado. Depois quando voltava para casa, caia na cama a chorar, imaginando que ele nunca mais voltaria. Ela se culpava, se dizia que não fizera um bolinho com prazer o suficiente e por isso ele não mais queria comer ali. Depois, era tomada por uma ansiedade e por uma expectativa de sua volta, se prometendo fazer um bolinho com todo o prazer que conseguisse produzir, para que quando ele voltasse, nunca mais quisesse a deixar. E ele voltava e ela se acalmava. Porém, quando isso se repetia, ou pior, quando ele sumia por vários dias consecutivos, ela perdia o sentido da sua vida, não conseguia dormir, seu estômago doía durante todo o percurso do dia, não comia e ao chegar em casa, se jogava na cama a só gritar e chorar. Mas sempre ele voltava e ela sempre se apaziguava.
Tudo seguia igual até o dia que do nada ele puxou uma conversa, perguntou o que ela gostava, o que ela fazia além do trabalho. Ela, desorientada pela surpresa, com seu coração disparado, lhe contou tudo que a sua mente borbulhante pôde pensar no momento. Sobre sua mãe, de como vivia sozinha, do que fazia quando não estava nele pensando. Por fim, como um sonho, ele a convidou para sair, lhe prometeu voltar após seu expediente para buscá-la e lhe disse o que ela mais queria saber: era Carlos – este era seu nome. Após o sino da porta bater com sua partida, Gertrude começou a pular de felicidade, seu coração estava em chamas, se sentia com ele completo, e um grande sorriso se estamparia em seu rosto pelo resto do dia. Gertrude e Carlos, finalmente os dois juntos e tudo começaria naquela noite, era isso que não saía de sua mente.
Ninguém notaria o sumiço de Gertrude naquela noite. Ninguém saberia dos 7 meses que passou naquele porão frio e escuro sendo continuamente torturada e estuprada. Ninguém saberia da criança gerada em seu útero no quarto mês de cativeiro. Talvez Beatriz soubesse, a outra mulher ali aprisionada, mas também quem saberia dela? Enfim, ninguém identificaria que aquele corpo deformado e mutilado encontrado na saída de um esgoto na noite de natal era o de uma mulher que um dia amou um homem. Um homem que não se chamava realmente Carlos, mas que de verdade adorara aqueles bolinhos de avelã com mousse de chocolate e baunilha.

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