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O espírito do natal

Era uma vez um garoto que acreditava no verdadeiro espírito do natal.  Sabia que não se tratava de uma data como os adultos a consideravam: um dia para pessoas sozinhas e tristes se juntarem e se empaturrarem afim de apagar com a comida seu eterno vazio.  A verdade do natal estava nos presentes que ganhava, esse sim era o espírito do natal. Papai Noel, sabendo o quanto se esforçara no ano para ser o melhor de si, lhe traria tudo que pedisse. Não, não importava o que aquela criatura feita de tudo que é mau, vergonhoso e desagradável no mundo tinha lhe dito, este ano não seria diferente. Mesmo assim, toda vez que falava em sua presença dos presentes que iria ganhar, lá estava aquela monstruosidade a convulsionar os vermes que habitavam o interior de sua face, e vomitar em deboche a mentira, que não, não iria haver natal naquele ano. Mentira odiosa, pois mesmo não tendo passado no seu curso de piano, tinha dado o melhor de si, e nada que sua mãe pudesse falar contra isso, poderia negar a pura verdade que conhecia em seu ser.