Um homem cai por uma imensidão vazia, olhando o nada que o cerca. Uma garota caindo na direção oposta, agarra-o e senta-se em seus ombros, cobrindo com suas mãos os olhos dele.
- Quem senta em meus ombros e cobre os meus olhos? – pergunta o homem.
- Ninguém – responde a garota.
- Ninguém me acompanha nesta constante queda. Imagino quando haverá alguém para fazê-lo – diz o homem, pensativo.
- Sim, ninguém acompanha-o nesta terrível queda. Sua horrível e interminável queda para todas as direções verticais e horizontais do vazio eterno. Vazio frio e absoluto! – exclama a garota, retirando as mãos dos olhos dele, estes que se fecham com essa ação, e abrindo-as no ar de modo trágico. – Ó, o horror, o horror! – exclama com um profundo pesar.
- Sim, é ruim – diz o homem com certa indiferença, mantendo seus olhos fechados.
- Então, por que está caindo desta vez? – pergunta a garota, voltando com suas mãos para os olhos dele.
