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Uma Noite Americana de François Truffaut

ou
Uma Guerra Americana

A Noite Americana é um filme do diretor François Truffaut sobre o processo de criação de um filme. Mais especificadamente, a criação de um filme comercial; um filme hollywoodiano, mesmo não oficialmente o sendo; um típico drama barato de alto orçamento com estrelas internacionais.
O filme busca apresentar os vários problemas que ocorrem durante uma filmagem, especialmente o maior de todos, o constante melodrama das estrelas, que se mostram pessoalmente cem vezes piores que os próprios personagens dramáticos ao qual interpretam.

O nome “noite americana” é uma designação técnica para a filmagem de uma noite falsa durante o dia. Uma designação que em si sintetiza o filme, este que busca mostrar toda a falsidade do chamado glamour da produção do cinema. Já que, o que é sempre realmente visto, é o produto final, uma iluminada noite de estréia, com as estrelas a desfilar, a mídia a fotografar e os fãs a pular. Todo glamour é uma noite criada de dia. E o filme tenta em si mostrar essa criação, com o seu processo de declínio do puramente técnico, o idealizado, com seu caos controlado, para o puramente dramático, o real, com seus caos completamente liberto. No filme, tudo começa com a ordem e caminha para o caos. Caos que são mais as estrelas que o próprio filme, que são mais o caráter comercial que a própria arte.

Caché de Michael Haneke

ou George e Majid: Uma Relação do Século XX


Caché
é um filme do diretor Michael Haneke. Um suspense, mas não necessariamente um suspense. Pois, não é o mistério que move a história, mas a reação dos personagens a ele. Uma narração, mas não necessariamente uma narração. Pois, não é a história que move o filme, mas a câmara que tanto segue os personagens na sua narrativa, tanto se abstém e assume outras perspectivas, abandonando-os a distância, libertando o significado. Uma crítica social, mas não necessariamente uma crítica social. Pois, não são as interações entre os personagens que movem a câmara, mas uma manipulação com o espectador que se sustenta sobre os próprios preconceitos deste. Caché significa escondido e seu significado pode estar muito bem escondido. Ou não, talvez só a percepção de seus espectadores seja a que esteja escondida. Ou quem sabe, talvez sejam os próprios espectadores quem estão escondidos e nem disto saibam.