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segunda-feira, abril 25, 2016

Parafuso no Espelho


 Um livro de contos surreais com leves pitadas de humor negro. Nele o leitor vai encontrar uma apresentação por Dante Alighieri dos horrores da Disneylândia; a filosofia do "É batata!", muito usada por Nelson Rodrigues; como um famoso jornalista brasileiro foi à lua em 1969; a escrituras sagradas da religião dedicada ao profeta Michael Jackson; as peripécias do presidente vitalício do maior país da America Latina, El Dourado; o sexo nasal e suas repercussões na sociedade; as desventuras românticas de Orson Welles; a maior cinemateca da realidade, contendo todos os filmes feitos, além dos só imaginados e os nem sequer pensados; a pós-vida de Amy Winehouse no céu, e muito mais!

Parafuso no Espelho. 115 págs. com 25 contos: Alô, alô, meu presidente; Bolinhos de avelã com mousse; É batata!; Crônica póstuma de uma Capivara; Divina Disneylândia - Descida à pedreira; Paranoia; Querida, não é meu!; Orifícios nasais; Chica, a viadeira das espírita; Coração, pedra partida; Michaeljacksonia; O último funeral; BRS3; Pontas dos dedos sangrando; Pacata; Crocodilos no meu armário; Um ensaio sobre a simbiose; Dr. Bobodavits Bobodágua Bobolitus; Camarões verdes fritos; Não só mais uma face bonita; Incidente Coca-Cola; A felicidade não se compra; Uma velha, um facão e um martelo; Senhor Bologodofos e as colegias japonesas; ? - A vida no além de Amy Winehouse.


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Leia aqui uma amostra de um conto do livro!



Crônica Póstuma de uma Capivara

Aviso: Segue-se aqui uma crônica escrita pelo requisitado pedólatra Augusto Capivara, originalmente pretendida para publicação na sua coluna matutina do jornal Diário Avestruz em 25 de julho de 1969. Porém, por razões desconhecidas, inédita até a presente data. Também recebendo destaque por ter sido a sua última, antes do seu desaparecimento num furgão preto à frente de um bar da rua Senador Vilela naquela mesma tarde.

Sabem... americanos são uns sujeitos estranhos. Adoram mexicanos trabalhando em suas fazendas, mas quando vem um brasileiro fazer em sua terra um trabalho de investigação, eles são um empecilho atrás do outro. Estava lá, na Florida, Cabo Canaveral, enviado do nosso amado Avestruz para cobrir a chegada do homem a lua. E repito, a chegada do homem a lua! Não passei por uma série de cadastramentos e credenciamentos para chegar lá e ficar sentado numa sala com outros jornalistas, enquanto uma bala gigante era atirada contra a atmosfera. Mas não, insistiram, só podia ficar ali sentado. Chamaram-me de maluco por demandar meus direitos – e repito, muito bem credenciados – de subir no foguete. 

Claro, que não ia ficar sentado e voltar para o meu chefe com as mãos abanando. Roubei um uniforme, me infiltrei entre os funcionários do lugar e cheguei até o foguete. Porém, quando averigüei que o espaço dentro da nave era pequeno, tive de bolar uma outra estratégia. A situação estava complicada, mas tudo me ficou bem claro quando um dos astronautas, o Mike, me pegou despercebido em um dos seus vestiários. Dei-lhe umas bofetadas, enfiei-lhe dentro de um armário, e tomei seu lugar. Sim, a vida de brasileiro trabalhando no exterior é difícil! Agora, estava feito, foi só botar o uniforme seguir tudo que me mandavam, respondendo um “Ahan” a qualquer coisa que me diziam. “Michael, is the heating system at the right levels?” “Ahan” “Michael, have you placed the protection for the self-destruct button?” “Ahan” “Michael, are you shure the left wall of the lowers levels is not on fire?” “Ahan” “Michael, have you flush the toilet?” “Ahan”. Porém, mesmo com toda a minha destreza comunicacional, já no segundo dia de viagem, descobriram meu disfarce. Foi um escândalo, gente gritando “Fuck you!” no rádio sem parar, o Neil tendo um ataque de nervos, o Mike chorando em meio aos “Fuck you Capivara!”, só o Ed ficou bem com a situação, sempre sorrindo, enquanto fumava seu baseado. Mas o que eles iam fazer? Me jogar para fora? Ia ser uma desfeita tremenda explicar como eu cheguei ali. Então, do nada minhas credenciais e cadastros foram  finalmente reconhecidos e virei o repórter oficial da missão.

Confesso que quatro dias com Neil Armstrong num cubículo pode levar qualquer um a loucura – o homem é um saco. Quando não dava chiliques com as coisas que eu quebrava dentro da nave, ficava horas e mais horas ou falando de sua prima Mary-Sue, ou relatando sua juventude no campo olhando para as estrelas. Provavelmente, enquanto estava vidrado com as estrelas, Mary-Sue devia estar muito bem vidrada em alguma parede de celeiro, enquanto um forasteiro a cavalgava. 

Finalmente, depois de muito sofrimento, pousamos aquela geringonça na lua. Obviamente, eu devia ser o primeiro a sair. Já tinha até a minha frase preparada para as TVs: esse é um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco para a minha carteira! Mas não… não!!! O senhor Neil fresco tinha que causar problema com isso. Nem para dar uma chance para um pobre jornalista. Claro, que fomos decidir isso nos punhos. É… é com muita vergonha que admito que aquele rapaz do Ohio é bem exercitado, pois quando voltei a consciência, já estavam os dois lá fora há algum tempo. Saí, terceiro homem na lua – que disparate! E saí com uma vontade de mijar. Enquanto, os dois abobados jogavam golfe, fui procurar alguma grande cratera para mijar. Devo dizer agora que acho que todo homem tem de experienciar pelo menos uma vez na vida o que é mijar no vácuo. É uma sensação a qual nenhuma prostituta de Copacabana pode se comparar.

Quando voltei daquela tremenda experiência, mais uma vez encontrei o senhor fresco dando um chilique. Porém, dessa vez até eu fiquei pasmo. E olha que para Capivara ficar pasma, tem de ter razão. Ele e o Ed estavam ao redor do que era obviamente os destroços de um balão. Pude notar dois esqueletos despedaçados ao redor do pano do balão. Além de o mais intrigante, marcas de um ataque por flechas. Mas isso, meus amigos, fica para a coluna de amanhã! Não percam!       

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