ou Um Pó de Estrela na Brisa do Presente
Nenhum amor pelos personagens, nenhum amor pela história, mas muito pelo romance. Herói tem de dar uma volta sobre o mesmo lugar onde sempre esteve para encontrar tudo que sempre quis. Pois, tudo só se decide atravessando a grossa muralha que corta a ilusão, do pó de estrela.
Stardust é um filme dirigido por Matthew Vaughn, baseado numa história de Neil Gaiman. Uma das poucas dele que eu não li, já que não era em si uma história em quadrinhos, só prosa ilustrada, e eu sou relaxado. Segundo filme que vejo baseado em seu trabalho, definitivamente melhor que Mirrormask, o crime contra o Labirinto de Jim Henson, mas nenhum clássico.
A história é sobre um garoto que ama uma imagem que só existe em sua cabeça, imagem que, quem sabe lá porque, imprime sobre a face da garota bonita local. Não a melhor rosa do jardim. E, assim, decide enfrentar uma jornada para provar que essa imagem é real. Jornada não muito complexa por um emaranhado de clichês. Para enfim descobrir o quanto estava errado e finalmente como amar alguém de carne e osso, ou melhor, de pó de estrela. O herói tem de descobrir pela experiência que o verdadeiro amor não é feito não de imagens pré-fabricadas, nem de idéias, mas sim de momentos. Momentos em que todas as dimensões do espaço fazem sentido, o tempo não mais parece importar, nenhum esforço se faz necessário, e o cabelo dos personagens brilha.
E agora, um pouco mais:
Tudo começa com o pai do herói, um conselheiro que sabe correr de velhos anciões. Ele atravessa a muralha entre o reino da ilusão e o lugar mágico. Conhece uma princesa, engravida ela, e nunca liga no dia seguinte. Hum… vejamos. Ela é uma escrava de uma bruxa. Ela diz para ele que a única forma de ganhar liberdade é matando a bruxa. E ela dá a ele uma flor que o deixa imune a bruxarias. Agora, nós sabemos porque ele não é o herói. Nove meses depois, deixam um bebê na porta dele, e ele o cria para ser um abobado com seus conselhos. Então, o abobado cresce e se apaixona pela garota popular da cidade. Sai com ela, já que pagou o jantar. E ela lhe revela que vai casar com o espadachim. Ele, por sua vez, promete lhe trazer um estrela, se ela casar com ele. Ela aceita, já que obviamente é uma prostituta. A estrela caiu do outro lado da muralha, e ele depois de ser surrado pelo velho ancião, descobre a história dos pais. Assim, ganha uma vela que é melhor que cavalgar nas costas de um burrinho, outro presente que muito bem podia também ter sido usado para salvar a princesa, e com ela, cai em cima da estrela. Eles começam a flertar. O abobado, já que está apaixonado pela prostituta, acaba agindo de forma mais decente na frente da estrela. E eles começam uma relação de interesses. Ele quer levar um pedaço dela para a prostituta. Ela quer voltar para o céu, e retomar sua rotina de dormir pelo dia e observar os outros à noite. Obviamente, uma garota festeira tímida.
Enquanto isso, tramas paralelas se desenvolvem. Os filhos do rei, procurando o colar que acertou a estrela, se matam e, já que isso é um filme para crianças, viram fantasmas. Se você quer assassinar personagens de forma perversa e manter seu público infantil, eles têm de aparecer depois como fantasmas cômicos. Fora isso, um trio de irmãs bruxas, vai atrás da estrela para comer seu coração. Como se elas não pudessem dividir o resto do último que tinham, ficar jovens, não usar mais mágica e se entregar a uma vida de incesto.
Tudo se segue, os grupos se encontram, lutam, se matam, nada de muito interessante. O abobado e a estrela acabam num navio de piratas. O navio voa, caso isso importe a alguém. E é claro, depois de ameaças de assassinato e estupro para manter as aparências, todos se abraçam. O abobado finalmente ganha uma figura paterna decente: o pirata afeminado, que finalmente o ensina como ser um homem. E nesse meio tempo, começa a ter momentos de alegria com a estrela. Tudo acaba bem rápido, desde que essa é uma das poucas partes do filme em que eu gosto do clichê. Seguem-se mais confrontamentos, e depois que a estrela se revela apaixonada pelo abobado, ele começa a se libertar das imagens em sua cabeça. Ele ganha um objetivo de vida, ri na cara da prostituta como última prova de ruptura, salva a estrela das bruxas incestuosas, e fim. Ah, ele também vira rei.
E agora, de volta a programação normal:
O amor não é feito de idéias, não é feito de imagens, não é feito de lembranças, nem do passado, nem do futuro, é feito do presente, é feito de momentos eternos que constantemente afluem nesse presente, é feito enfim de emoções.
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