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sexta-feira, dezembro 20, 2013

Segundo capítulo do romance Meu ano sem ela

Mais um capítulo de amostra do romance Meu ano sem ela. Leia o primeiro capítulo clicando aqui!

2. O último dia do resto da minha vida

Estou deprimido, há uma semana estou enclausurado no meu quarto. Acordo tarde, vejo filmes, não saio da cama, durmo cedo, ou melhor, me contorço na cama cedo. Nos falamos só pelo msn, nos falamos pouco já que nenhum assunto temos mais. Minto para ela, digo que tenho passado o dia estudando, fazendo algo de produtivo, não sei se acredita nisso ou não. Só sei que algo tem que mudar na minha vida, o caminho que estou seguindo não dá mais. No nosso último encontro, mal nos tocamos, não por falta de tentativa minha, ou por qualquer tipo de repulsa dela a isso, mas simplesmente por puro desinteresse, ela prefere o filme - esse não a trás tantas desilusões quanto nós estarmos juntos. Nossa última briga foi horrenda, agora nos fingimos de bem e ela presta mais atenção ao filme na tela do cinema que a mim. Que tipo de pessoa vai com outra no cinema para ver o filme? Saio de lá pior que estava antes. Não agüento mais, sinto que toda nossa relação está sobre os meus ombros. Tudo só acontece se eu o faço, e ela só se dá o trabalho de concordar ou discordar. Nas noites que se seguem nas nossas conversas pelo msn, minha distância se faz aparente. Mas que diferença isso faz, não é como se ela fosse tomar qualquer atitude por causa disso, ela só reclama, reclama e reclama e mais nada, a única pessoa que pode tomar atitude aqui sou eu e mais ninguém. Mas eu não quero, já estou cansado demais de fazer tudo sozinho, e a ela só resta à pergunta.
- ..., você quer acabar comigo?
E eu me irrito.
- É claro que não, eu te amo, você é o amor da minha vida. Para de besteira e vamos falar normal.
E as conversas se seguem sem vida.
Faz uma semana que não nos vemos, ela acabou de fazer uma operação para tirar um siso. Pensei em visitá-la antes, mas para quê? Para ficar parado olhando para o ar na sua casa, enquanto ela se foca em outras coisas, igual fez no cinema. Quero ficar com ela, mas não como um adorno, não cumprindo só um papel. Porém, apesar do desanimo, decido que não posso ser assim. Só há uma certeza na minha vida e essa é que eu a amo. Logo, me reergo, acordo cedo, arrumo o meu quarto que está uma bagunça abandonada. E começo a planejar como posso consertar tudo, como devo me focar em outras coisas, como na minha escrita e meus filmes, além do estudo para logo arranjar um trabalho. Sei que com dinheiro as coisas ficarão mais fáceis. Sim, nós temos problemas, mas é só mais um pouco de esforço, que logo tudo irá se consertar, logo ela irá realmente entender o quanto eu a amo e as brigas pararão, logo ela terá total orgulho de estar comigo. Até imprimo algumas imagens de paisagens e grudo na parede para dar um ar de mais vida ao meu quarto, quero que ela se surpreenda na próxima vez lá. É bobeira, mas eu sou bobo. É uma quarta, nos veremos amanhã, na quinta. A conversa de msn é monótona como sempre. A verdade é que qualquer assunto mais marcante, eu mesmo já corto, pois sei que vai acabar em confusão, com ela discordando de algo, logo é mais fácil evitar. Vou dormir. Trinta minutos depois, ou mais, não sei, já estou dormindo, o telefone toca.
- ..., entra no msn!
- O quê? Por quê? O que houve?
- Eu preciso falar algo com você.
Entro no msn.
- Você está estranho, tá distante, eu não sei o que fazer.
Logo penso, lá vem confusão de novo. É típico dela, me tragar pelos conflitos interiores dela até três horas da manhã. E eu sempre acompanho, mas nesse momento estou cheio daquilo.
- ..., por favor, vamos falar amanhã. Amanhã a gente vai estar junto, é melhor.
- Não, mas eu quero falar agora. Você parece distante demais, corta tudo que eu começo a falar, não parece se importar mais.
- Meu deus, por favor, eu to cansado, vamos falar amanhã. Eu não to diferente com você, eu te amo do mesmo jeito.
- Não tá não, e eu sei disso.
- Sério, eu tô quase desmaiando aqui. Amanhã, a gente vai estar junto e tudo vai estar certo.
- Não, você não teve nenhum problema em passar uma semana sem me ver, e eu queria você.
- E por que não pediu?
- Não sou eu que tenho de pedir algo, você me vê se quiser me ver.
- Sei... Então, amanhã a gente vai se ver.
- ... você ainda quer ficar comigo?
E é isso, é a terceira vez na semana que ela me pergunta isso, eu não agüento mais. Tudo eu, eu e mais eu. Mas se eu tomo todas as iniciativas, ela mesmo assim está insatisfeita e não concorda, me traga ao inferno até por pura sorte eu adivinhar os desejos que ela se vê incapaz de falar. “..., eu te amo, não te quero distante de mim!” Não, isso é difícil demais. É mais fácil um “Você não se importa comigo, você não me ama!” Então respondo a sua pergunta:
- Não.
- Eu já sabia disso!
- É, você sempre sabe de tudo.
- Pára com isso!
- Não, eu tô cansado. Eu não agüento mais passar por isso. Eu quero alguém na minha vida que esteja comigo, não que fique me reprovando, não que só me acompanhe distante.
- Pára com isso!
- Não, eu cansei. É isso que você queria, então ai está.
- Não, eu não queria isso.
- Você queria, sempre perguntando a mesma coisa, eu não agüento mais.
- Eu te amo!
- Sei...
Ela me liga.
- O que você tá fazendo é idiota. Vamos conversar melhor amanhã sobre isso!

- Não, não quero mais te encontrar amanhã - digo isso querendo encontrar ela, porém sei a realidade, nada do que eu estou reclamando terá alguma importância caso eu esteja frente-a-frente a ela. No momento que olhar em seus olhos, tudo estará perdido, serei dela mais uma vez para fazer o que quiser, me torturar com milhares de dúvidas, nunca acreditar em mim, me colocar o peso de decisão de tudo, só para logo depois discordar. Sei que se for, ela vai me perguntar de novo o que eu quero, e assim eu em um misto de raiva e paixão, vou dizer: “Eu quero a minha mulher do meu lado! Quero que você deixe de besteiras e seja ela!”; ela só vai me olhar com desejo, não vai responder nada, nem se responsabilizar por nada, e eu vou beijá-la, um beijo longo e forte. Mas eu me recuso a passar por isso de novo sem antes ela demonstrar de alguma forma verdadeira que se importa, que quer realmente melhorar as coisas, e não deixar como sempre tudo para mim.

Ela chora, depois fica irritada.

- Você vai se arrepender, escuta bem o que eu to te falando!

O que só me deixa com mais raiva, não dela, de mim mesmo, porque eu vou, e exatamente por isso eu me entrego mais a raiva. Tenho certeza que o que estou fazendo é o melhor para mim, estou me sentindo sozinho com ela, e não posso deixar o meu amor por ela arruinar a minha vida, logo deixo toda a frustração me tomar, e começo a listar tudo que a gente têm passado que eu não gosto, cada coisa que fiz, e cada coisa que ela não fez em retorno. 

Nesse momento, uma parte quer ter certeza que tudo está destruído, para que a outra que passou por tudo aquilo não possa voltar mais. A conversa acaba, a gente concorda que vai dormir, pensar melhor e falar no dia seguinte. Apago todas as nossas fotos do Orkut tiro o nosso status de namoro – hoje em dia você só pode ter reações emocionais reais, se elas são compartilhadas em uma rede social - e depois choro.

Não durmo, só me contorço na cama. Começo a escrever uma carta, tentando dizer na melhor forma possível, que não agüento mais e ela tem que tomar alguma atitude, tem que lutar pela gente, ser uma mulher que me acompanhe, não só a minha companhia, fazer como eu que sempre tento estar junto dela e a suportar.

Sua resposta é dizer que eu não preciso dar explicações porque estou acabando com ela. Já é comum ela não entender nada. Mas eu não estou mais interessado em explicar algo. Nos falamos no telefone mais uma vez, ela insisti que nós devemos nos ver, e eu insisto que não, ver ela é voltar para alguém que não se importa, ela mais uma vez me chama de idiota e diz que eu vou me arrepender. Acabo a ligação, mais uma vez choro.

Choro até me dizer o quanto é idiota tudo aquilo, que ela não vale isso, que devo seguir a minha vida, continuar com os mesmos planos que só vinte e quatro horas antes havia feito para me melhorar como pessoa, melhorar para ela, mas agora sem ela. Sinto-me com a vida a seguir. Que vida, ainda não sei. Tic-tac, tic-tac, tic-tac, começa a tocar o relógio da bomba.

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http://www.danielmatos.com.br/2014/05/lancamento-do-livro-meu-ano-sem-ela.html

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