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sexta-feira, agosto 26, 2011

Orgasmo Audiovisual: Louis CK

Um homem está tendo um encontro com uma mulher, vai bem, estão se divertindo, tem muitas coisas em comum. Vêm um grupo de colegiais fortões bêbados gritando na lanchonete onde estão. O homem pede para fazerem silêncio, um dos fortões vai até ele e ameaça o surrar, perguntando o que ele vai fazer contra eles. Ele diz que nada, sendo obrigado a admitir que é fraco - aceita ser humilhado. Eles vão embora, ele conseguiu lidar com a situação de forma que nada escalasse para a violência, porém a mulher ao seu lado acaba de perder todo respeito por ele, não acabarão mais na cama como ela esperava. Ela vai embora, ele vê o fortão e o segue. Acaba em sua casa, bate a porta conversa com os seus pais. Não veio fazer ameaças, só relatar o que aconteceu e esperar que o certo seja compreendido. Os pais pedem desculpas, ele sai. Na porta da casa escuta como a mesma ameaça violenta usada contra ele é usada contra o colegial pelo pai. O pai sai e conversa mais com ele – está cheio de problemas com a vida, com o trabalho, não sabe lidar com o filho. O homem o compreende, como compreende seu agressor e compreende a mulher que o rejeitou. Essa é a vida, a experiência da vida. 

A mais genuína comédia é encontrada no cotidiano, naquele ponto de quebra entre o que as coisas “deveriam ser” e como elas realmente são. É a risada na tragédia. E o melhor lugar para se evidenciar isso é no humor de Loius C. K., mais especialmente em suas duas séries de comédia para tv, Lucky Louie, produzida pela HBO com uma temporada de 12 episódios - já cancelada -, e Louie pela FX - já em sua segunda temporada de exibição. A primeira lidando com as contradições da vida de casado, e a segunda com a vida de solteiro, divorciado.

Quem é Louie? É um homem genuinamente bom, ou seja alguém que realmente quer fazer o certo imposto pela sociedade, que quer ser o politicamente correto e vê isso como absolutamente natural. Um homem bom, altruísta, mas sem os vícios de um altruísmo barato de se exibir como tal. Alguém com uma vida que poderia ser dita triste, cheia de fracassos e infortúnios, porém que a vive, não nessa tristeza, mas sim como a pura experiência da vida. Alguém que está sempre a ponto de entrar em argumentos para defender o que é certo, apesar de não saber como reagir se ameaçado. Sua própria comédia aponta seu caráter, não tem piadas rancorosas a fazer graça dos sucessos e insucessos de outras pessoas, faz piada só de si próprio, da sua vida, e daquele constante limiar que encontra entre o que “deveria ser” e o que é. 


Louie é um homem gordo, careca, sem dinheiro, fraco e, pior, ainda ruivo, quando casado é incapaz de dar um orgasmo a sua esposa – a ponto dela, uma mulher, não ter mais interesse em sexo e ele ser um masturbador compulsivo - ou de obter respeito de suas filhas; quando solteiro é incapaz de manter o interesse de uma mulher por muito tempo, ou de agir no momento certo quando uma ação dele é esperada; quando ameaçado sempre tenta raciocinar a situação com seu agressor, pois tem medo de ter que usar a violência, espera sempre perder. As pessoas com que interage são um mesmo poço de problemas, de comediantes que são odiados por todos por fazerem comédia de insulto e cogitam se suicidar, a mulheres que querem lembrar de seus pais durante o sexo, a homens absolutamente controlados por suas mulheres, a garotas que se vingam das mães fazendo sexo com tudo que aparece pela frente.

Suas séries são as mais humanas nos últimos tempos, apresentando toda a experiência da vida na sua forma mais pura, sem nunca cair ao vírus do maniqueísmo, e sempre sabendo rir dos infortúnios e contradições do dia-a-dia. Lucky Louie é formatado como uma clássica série cômica de família, sendo a primeira honesta na construção dos personagens que apresenta. Louie é uma série desconexa de situações, reproduzidas de forma realista, apresentando uma estética de cinema alternativo existencialista. Ambas são altamente recomendadas, como toda a comédia stand-up de Louis C. K.

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