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sexta-feira, junho 10, 2011

Divina Disneylândia

          Queria chegar ao topo, precisava chegar ao topo, podia ver o sol nascendo lá em cima, quando um selvagem Pluto se apresentou à minha frente, impedindo meu caminho. Por detrás de uma árvore foi então que apareceu Dante Alighieri, que me disse:
            - Venha, venha, jovem artista, que por esse caminho não há passagem, venha comigo que assim te ensinarei a outra forma de chegar ao topo.
            E dessa forma o segui, e logo estávamos a adentrar os portões da Disneylândia.             
           - Por aqui teremos de atravessar os muitos parques temáticos para o seu objetivo alcançar, porém antes tenho uma pergunta por demais necessária de ser feita.
            - Faça-a - disse a Dante.
            - Então, ok, lhe entendo, ler toda a Divina Comédia é um trabalho árduo, mas pelo menos toda a minha página no wikipedia você poderia ter se dado o trabalho de acabar, não?
            - É... até cogitei, mas no fim não achei necessário, pois pretendo acabar esse texto em menos de uma hora.
            - Então, nem uma citação em italiano sequer vou fazer durante todo o nosso percurso?
            - Espera...
            - Una bellissima ragazza è il sole, una creatura straordinaria, uno che fa galoppare l'immaginazione – disse Dante sem razão alguma.
            - Satisfeito?
            - Uma citação minha, não do Marcello Mastroianni.
            - É... vamos continuar a minha jornada!
            - Mas nem a Disneylandia você sabe como é!
            Guiado por Dante, adentramos o primeiro dos parques temáticos da Disney: uma cidade temática tomada por milhares de patetas apaixonados. Apaixonados, abandonados, apatetados.
            -Amar é nunca ter e perder, amar é ter e mesmo assim perder, amar é lembrar e ser esquecido, amar é esquecer, mas sempre lembrar. Vamos interrogar um desses patetas, meu jovem amigo artista.
            - Todos parecem diferentes, mas são tão iguais na sua patetice.
            - Qualquer um serve. Ei, você aí, sim, você aí escrevendo essa carta, venha aqui!             E o pateta veio.
            - Sobre o que é a carta?
            - Não entendo, pois amei com todas as nanopartículas do seu ser, e mesmo assim isso não foi o suficiente. É preferível a lama, a minha presença? Não sei, realmente não sei, pensei que sabia, mas não sei. E se só isso sabia, o que agora restou de mim? Não sei.
            - É... bem patético, Dante.
            - Sim, vamos seguir para o próximo.
            Uma cidade depois de um arco-íris foi o que surgiu a nossa frente. Uma cidade colorida, tomada por ratos sorridentes. Logo ao adentrarmos-na, fomos cumprimentados por um sorridente Mickey Mouse.
            - Olá amigos, tudo está perfeito hoje! Espero que estejam se divertindo!
            - Por que você está tão feliz? - perguntou Dante.
            - Hahahaha, por quê mais estaria, porque estou! Olhem como sorrio, é claro que estou feliz! Hahaha.
            - Mas qual é a razão de tudo isso? - perguntei.
            - Hahaha, porque estou feliz! Eu tenho de estar feliz, não? O que vocês querem, que eu esteja outra coisa? Do que me adiantaria estar outra coisa? Querem que eu esteja miserável? É isso? Por que alguém desejaria que alguém estivesse num estado miserável? Só porque nada na minha vida tem alguma importância e todo o significado foi destruído, esmigalhado na sarjeta? Vocês querem que eu fique chorando pelos cantos? Vire um alcoólatra? É isso? Pois podem ir muito bem atormentar outro rato, pois este aqui está feliz! Eu tenho de estar! Eu estou! Sim, sim, olhem como sorrio!
            - Não quero sorrir como ele, vamos continuar. - disse a Dante.
            Atravessamos uma ponte sobre um lago de chamas, pedaços de porcos boiavam na água pintada de vermelho, alguns pedaços como bocas ainda se moviam e gritavam:
            - Nunca mais, nunca mais.
            Uma minhoca se retorcia com tumores pelo caminho. Chegamos a Patópolis. Um Pato Donald revoltado andava enfurecido pela rua, quaquejando palavras irreconhecíveis. Dante enfiou a mão no bolso de sua manta e tirou uma moeda, depois com o dedo a atirou para o ar. A moeda subiu, depois caiu a nossa frente na calçada, despertando a atenção de um Tio Patinhas que até então não tínhamos notado.
            - Uma moeda, uma preciosa moeda, será que caiu de minha bolsa de moedas? Hum... é de vocês? Que falta de atenção com seu dinheiro!
            - É mesmo, que desastrado sou, obrigado por devolvê-la. Uma pergunta, você sabe qual o problema com aquele pato ali? - perguntou Dante.
            - Hah... meu sobrinho, está revoltado pela pata que ele ama. Ela a cada dois segundos dá um ataque diferente, não sabendo o que quer da vida, e ele se afeta todo. Fica gritando que ela não o ama de verdade, que não sabe reconhecer seu valor, e depois soca as paredes. Esse meu sobrinho sempre teve problema com as patas. A primeira, outra maluca, sumiu um dia, lhe deixando uns três ovos de presente. Hah... e você acha que ele foi cuidar desses ovos? Não, deixou os três para mim. E pior, ainda hoje, ele mesmo só os chama de sobrinhos. Os três bastardos nem sabem que ele é o pai! Mas eu já aprendi a minha lição na vida. Já fui um jovem pato afobado como ele, me perdendo por rabos de saia que não valiam nada, não sabiam o que queriam da vida, e só causavam problema. Foi por isso que me entreguei as minhas belas moedas. Sabe como viver uma vida boa? Simples, só dependa de si mesmo para tudo. E só o dinheiro lhe dá essa possibilidade. Hah, me lembro da primeira vez que consegui encher um cofre de moedas de ouro, fui nadar nele e quebrei minha coluna. Acham que fiquei chorando? Não, substitui meus ossos pelo melhor adamantium. Sim, agora esse metal faz parte da nossa continuidade. O que o dinheiro não pode comprar?
            - Mas mesmo assim, você nunca pensou em se apaixonar de novo, mesmo nessa sua nova condição autossuficiente? - perguntei.
            - Ah... sim... é claro, sempre acreditei que com uma pata forte ao meu lado, me suportando em todos os meus objetivos, poderia me tornar muito mais rico. Mas acham que encontrei? As patas de hoje em dia estão sendo condicionadas a satisfazer muito mais a sociedade que qualquer outra coisa, se perdem num ego que não passa do ego criado pela sociedade para a sociedade e perdem a visão do todo. Nenhuma consegue conceber em suas imaginações o tipo de união para se sobrepor a todo o resto como eu imaginei. Mas querem saber quem é a pata da minha vida? Ela está aqui!
            O Tio Patinhas tirou, então, uma moeda de seu bolso e mostrou numa das faces o contorno de uma pata. Seguimos para o próximo parque.
            O caminho do parque começou a se desfazer e passou rapidamente para um amontoado de pedras soltas. Estávamos descendo, e tudo ao nosso redor se tornou um horizonte cinza de pedras. Dante seguia a minha frente, intrigado.
            - É estranho, meu jovem amigo artista, deveríamos estar subindo, mas estamos descendo, e razão disto não sei por quê. Diga-me qual era sua pergunta inicial para estar subindo ao topo?
            Ia responder a Dante, quando de repente lá embaixo no vale de pedras, surgiu por entre elas, um gigantesco Walt Disney, carregava em sua mão um cartunista, e prontamente lhe deu uma mordida arrancando metade de seu corpo. Depois, de olhos arregalados, sangue caindo de sua boca, virou para mim e para Dante, apontando com seu dedo indicador e disse:
            - O homem é o pai dos deuses, dos demônios, de todos os caminhos. Torne-se um deus, ou siga ao abismo como um inseto – olhou o corpo do cartunista ao falar isso.
            - Ó, grande Disney, que tudo sabe, que tudo vê, nosso amigo, este jovem artista, quer chegar ao topo, mas aparenta que só descer consegue fazer, como pode aconselhá-lo em seu caminho? – perguntou Dante.
            - Não há caminho fixo para o topo, para lá chegar, é preciso você construir o seu próprio caminho, com o seu próprio significado, se esperas um caminho pronto, se esperar seguir o que já escreveram, só descera a pedreira. Olhe – e Disney apontou para um monte de pedras com uma abertura que parecia ser a entrada de uma caverna.
            Da caverna, começou a vir uma cantoria.
            “Eu vou, eu vou, para casa agora eu vou, parara-tim-bum, parara-tim-bum, ...”
            E de lá saíram cantando os sete anões. Carregavam inchadas na mão direita e um saco na mão esquerda, jogado por cima do ombro, dentro de cada saco havia um bebê, ou dois, dependendo do anão. Lá vinham em nossa direção: Mestre, Zangado, Feliz, Soneca, Dengoso, Atchim e Dunga. Zangado trazia dois bebes em saco, duas meninas que não paravam de chorar.
            - Ah, aquela maldita, - começou Zangado - teve filhos com todos nós, e depois fugiu com um príncipe afeminado, nos deixando a cuidar das crianças. É isso o que acontece quando você se deixa ser enganado pelas ilusões que aparecem a sua frente. Você se acha o herói, vê a mulher lá toda desamparada, maltratada por uma bruxa má, posta na rua, assediada por caçadores, leva ela para casa, cuida, da comida, dá banho. No início tudo maravilhas, só cantos, festas e orgias, aí começam a nascer as crianças. Um dia ela diz que tem de ir na esquina comprar uma maçã envenenada e nunca mais volta. Você fica lá, tendo de seguir o seu dia a dia, acordando cedo para minerar diamantes, mas agora tem também de cuidar de um monte de crianças.
            Seguiram os sete anões a desaparecer no horizonte.
            - Não quer acabar como eles, quer? – falou Disney.
            - Não, mas ainda não sei como construir o caminho para esse topo – respondi.
            - Hum... – disse antes de engolir por vez os restos do cartunista em sua mão. - Poderia lhe ajudar, mas... mas... não, não. Isso não sairia grátis, nunca se deve dar nada grátis, senão não seria apreciado. Porém, não vejo nada que alguém como você possa oferecer. Pois, eu, o grande Walt Disney, a tudo tem, a tudo possuí. Então, estás perdido!
            - Espere! – exclamou Dante, e veio cochichar em meu ouvido.
            - É... – comecei – Posso lhe garantir, em breve, Guerra nas Estrelas. Tenho uns contatos.
            Quase imediatamente ao momento que falei “Guerra nas Estrelas”, um grande sorriso se abriu na boca ensanguentada de Disney, e ele, abrindo seus braços para o ar, fez o céu antes negro, se tornar vermelho, um vento correu entre nós, flashes de raios começaram a bater sobre nossas cabeças, e por entre as pedras do vale começou a sair água, centenas de poças d’água, organizadas de forma paralela, surgiram ao seu redor, e delas emergiram hipopótamos a dançar bale.
            - Assim você ganha minha atenção! – disse Disney.
            - Então, ó grande e temido, Walt Disney, como podes ajudar a este jovem artista? – perguntou Dante.
            Disney descendo suas mãos, as esfregou uma na outra, as esfregou com muita rapidez, até formar algo dentro delas, desceu-as até a nossa altura, revelando cinco cartunistas sul coreanos.
            - Aqui está, eles são seus agora, e é tudo que você precisa para construir esse seu caminho – assim que acabou de falar, Disney se transformou em um tufão de vento sombrio, que atraiu todos os hipopótamos dançando bale para ele. Os hipopótamos giravam ao redor do tufão, enquanto esse diminuía até se tornar tão fino a sumir da realidade.
            - É... o que vou fazer com cinco cartunistas sul coreanos? – perguntei a Dante.
            - Isso é o que terás que descobrir por si só em seu caminho!
            Continuamos a descer, sem ainda nenhuma direção certa, eu, Dante e agora também os cinco cartunistas sul coreanos.


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Livro dos Unicórnios: A Criação


No início não havia nada. E aí houve a batata. E aí houve aqueles que eram eternos: os unicórnios. E eram cinco unicórnios. E se chamavam Arakolyts, Jajatops, Hopuiyu, Gatueus e Raul-Chico. E os unicórnios adoravam a batata. E aí em sua adoração eles criaram a terra para que nela a batata se estabelecesse. E a terra foi criada e sobre ela a batata se estabeleceu. E aí em sua adoração viram que a batata precisava de luz para ser vista. E o céu foi criado e iluminou a batata. E muitas batatas se espalharam pela terra. E os unicórnios acharam pequena sua adoração sobre tantas batatas e decidiram que novos seres deveriam adorar as batatas. Continua...

O romance Meu ano sem ela!

Chopadas, festas na Lapa, apartamentos estranhos, fetiches sexuais em salas de aula isoladas, coalas a baforar a fumaça de um charuto, noites alcoolizadas, perdidas, de êxtase, de esperança, de desespero. A descida de um universitário pelo submundo de festas, sexo e álcool do Rio de Janeiro, após o termino com sua namorada. Uma vida de promiscuidade, a qual se entrega, sem saber se realmente ali quer estar. 

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