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quinta-feira, maio 05, 2011

Ônibus Vermelho de Marte


Epitácio sentou no banco do ponto a espera do ônibus vermelho de Marte. Encontrava-se adiantado, o ônibus só passaria em trinta minutos. Sabia disso ao sair de casa, e o fizera exatamente por isso, porque precisava sair. Sua mulher estava dando ataques mais uma vez, nem sabia mais o porquê, foram tantas vezes. Só que no jantar discutiram algo, e ele venceu o argumento, e isso foi o necessário para ela passar à noite muda, virada para o lado oposto a ele e depois, de manhã, acordá-lo com um empurrão para o chão. Teve de fazer o café da manhã com alguém de cara emburrada sentada na cadeira da cozinha. Estranhamente, ele aturava tudo isso porque a amava. Sim, era insuportável, mas quando estava feliz, ela o fazia se sentir como nenhuma outra mulher podia. E podem ter certeza, na sua profissão de sapateiro, mulheres é o que não faltavam em sua vida. Mas então, lá estava Epitácio a esperar o ônibus vermelho de Marte, quando veio a Morte e sentou ao seu lado. Não era uma morte clássica de capuz, lembrava mais uma de quadrinhos dos anos 90. Não, não a de Neil Gaiman, mas sim uma que mais parecia uma atriz peituda de Baywatch, usando pouca roupa, mas com a pele branca, bem longe de uma vida de praia.

- Epitácio, sua mulher acabou de morrer. Ontem à noite, ela teve um início de derrame, que tornou-se fulminante alguns segundos depois de você ter saido de casa. Ela está agora estirada na cozinha de sua casa. Quando fui buscá-la, ela me perguntou se eu estava tendo um caso com você. Não tive a coragem de falar a verdade.

Epitácio só baixou a cabeça e começou a chorar. Depois parou e voltou para casa. Havia tempo, poderia enterrar o corpo, e ainda pegar o ônibus. Lá estava o amor de sua vida, estirada no chão da cozinha. Pegou-a pelas pernas e a levou para o jardim. No jardim, se abaixou até colocar o ouvido na terra, foi mudando de posição até achar o lugar certo, ai bateu três vezes na terra. Em alguns minutos, daquele espaço que tinha batido, sairam duas toupeiras.

- É minha mulher, podem levar ela para o centro da terra?

- Esse é o seu segundo favor, mais um e encerramos a nossa dívida!

As toupeiras aumentaram o buraco por onde vieram, e levaram a mulher de Epitácio. Lá dentro na cozinha estava a Morte, bebendo o resto de suco de laranja deixado no copo de sua mulher, a única mulher que já amou, ou que poderia amar. Não havia mais nada a fazer, fizeram sexo sobre a mesa. A Morte era fria, mas afundar sua cabeça entre os seios dela, excitava Epitácio. Foram rápidos, precisava pegar o ônibus.

Só faltavam dois minutos, teve de correr, mas lá entrou Epitácio no ônibus vermelho de Marte. O ônibus não o deixava confortável, podia ver lá fora os crocodilos se debatendo uns contra os outros nos pântanos. Começou a chover, e ao ver a chuva descer pelas janelas do ônibus, começou a chorar. Vinha-lhe a lembrança de sua mulher, imaginava agora seu corpo moribundo sendo tragado pelas toupeiras até o centro da terra. Ah, se ela não tivesse o impedido de ir trabalhar na campanha de seu amigo Jason Voorhees, agora estariam trabalhando com o presidente, e teriam o melhor plano de saúde do mundo, mas não, ela dizia que era besteira, que o comércio de sapatos era o futuro certo para ele. Ah, nem podia ter certeza que ela morrera o amando, pois disso sempre teve dúvidas. Ela sempre duvidava dele, e como alguém que tinha dúvidas do seu amor, poderia o realmente amar? Fora isso que o entregou aos braços frios da Morte.

Uma batida, o ônibus parou. Não, assim nunca chegaria no trabalho e seria demitido. Seu chefe nunca aceitaria uma batida de ônibus como explicação. Só havia uma coisa a fazer, sair do ônibus e caminhar entre aqueles crocodilos. Saiu, e logo estava um a mastigar a sua perna. Deixou-a para trás e sangrando se arrastou até uma casa na beira da estrada. Foi lá que conheceu a sua esposa. Ela só tinha quinze anos, e estancou sua ferida com um maçarico. Quando disse que era um vendedor de sapatos, ficou toda entusiasmada, igual como ficara da primeira vez. Deixou-o na sala e correu para o seu quarto, quando voltou, tirou suas sapatilhas e mostrou seus lindos pés com as unhas pintadas de vermelho.

- Quero que me recomende um bom par de sapatos que combinem com as minhas unhas. Se gostar do que recomendar, poderemos nos casar!

Seus pés eram lindos, seu entusiasmo era lindo, estava apaixonado e excitado. Quem sabe, agora as coisas poderiam ser diferentes, ela poderia ser diferente, talvez não tivessem mais problemas. Ainda mais porque não se lembrava de em seu casamento ter estado com uma perna faltando. Logo, agora que estava, talvez tudo fosse melhor.

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