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quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Sangue, Pipoca e Amor

Desde os tempos em que nos encontrávamos a comer insetos em cima de árvores, ou quanto fomos para os lagos tentar ser peixes, e por fim quando acabamos a correr desesperadamente pelos campos pintados de sangue a exterminar da face da terra qualquer coisa que aparentasse ser uma ameaça, o homem para atingir seu potencial necessitou de rituais imagéticos. Talvez ainda não tivéssemos desenvolvido a capacidade de reproduzir imagens em nossa cabeça, talvez só um ou outro indivíduo o tivesse, e o resto devesse ser domesticado dessa forma, mas a reprodução das imagens em movimento sempre foi necessária. Se você quisesse matar um grande animal, ou atravessar um rio infinito cheio de mistérios, você não o faria sem antes ter experienciado o evento através de imagens numa caverna, ou na areia da praia.

Com o tempo, muito mais potencial foi encontrado nesse mecanismo. Templos, igrejas, o que hoje conhecemos meramente como instrumentos de mentes ilusórias para a adoração de deuses falsos, foram um dia muito mais: eram máquinas. Máquinas a serem usadas pelos melhores indivíduos da sociedade para alcançar em suas mentes, através de símbolos, imagens em seqüências a brilharem com luzes artificiais no meio de arquiteturas grandiosas, lugares, idéias, que nunca poderiam tocar em seu cotidiano entre os homens comuns numa existência abstrata a fingir-se de concreta.


Chegamos então aos dias atuais, e a essa porta ainda aberta através do cinema, talvez ainda alguns anos antes dela ser por sua vez aberta por um fio diretamente em nosso córtex cerebral. Vivemos numa sociedade globalizada há mais ou menos uns dez mil anos, mas só agora as imagens em movimento começam a fluir de forma a criar uma chave, a dar a possibilidade da liberdade a qualquer indivíduo, que por acidente possa receber o fluxo de informação certo em sua cabeça. Não mais a liberdade está limitada a uma terceira geração de filhos de comerciantes e guerreiros, agora até aquela garoto sujo de sangue das entranhas de um porco, escondido em um porão, pode ter a chance de receber a informação certa que o colocará a caminho do infinito.

Numa nação de escravos, infestada de subserviência, comportamento de vítima, de fracasso, o filme certo, para a pessoa certa, no momento certo, pode mudar tudo. Livros, quadros, músicas, não tem esse potencial. Talvez só histórias em quadrinhos tenham um potencial maior, porém talvez por isso mesmo acabem marginalizadas. E é claro, nem tudo tem um único lado, para cada novo indivíduo salvo, milhares são condenados a só servirem como veículo das fluxos inúteis de informação. Mas talvez esse seja o pagamento para alguns, em quantidade cada vez maior, não mais terem de abaixar a cabeça a reis, a ladrões de excelência, que só deveriam receber uma lamina em suas jugulares.

É claro, porém que deve ser lembrado que o cinema é só uma chave. Uma chave que deve ser deixada na porta, após esta ter sido atravessada. A vida não foi feita para ser assistida. Após o ritual imagético inicial de nascimento, ela deve ser vivida. A existência só é entediante para o indivíduo entediante. Pois, qualquer um, em qualquer lugar, com a pessoa certa ao seu lado, com a motivação épica certa em seu interior, pode produzir uma verdade que nunca poderia ser tocada por uma imagem.

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