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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O Caminho da Consciência: A História segundo Hegel

Hegel estabelece que a história é o percurso do conhecer para o saber absoluto, é a formação da consciência filosófica. Sua tese se baseia que na busca para um saber absoluto primeiro tem de se estabelecer qual a relação entre a consciência, o ato de conhecer e o absoluto.
O caminho entre a consciência natural e a filosófica é unicamente marcado pelo ato de conhecer. Toda a ciência da experiência da consciência se baseia neste ato, no que ele é e no que pode oferecer ou enganar. Pois, conhecer é uma faculdade determinada, cuja natureza precisa ser analisada, tanto quanto suas limitações. Para Hegel, o princípio desta analise é a dúvida que é quase um desespero, em oposição a uma dúvida que é só um vacilo contingente de algo dado como verdade. Logo, se temos uma dúvida que nos leva a questionar o que percebemos, há uma separação entre o absoluto e o ato de conhecer. Não colocaríamos em questão aquilo que nos afeta, caso isso fosse diferente. E também não colocaríamos em questão o próprio ato de conhecer, caso também não houvesse uma clara separação entre nós e ele. Mesmo assim, podemos estabelecer o ato de conhecer como verdadeiro, mesmo este não dando caminho direto para o absoluto. Pois presente a dúvida, este não deixa de ser uma verdade do absoluto, mesmo não sendo este. O ato de conhecer, que tanto pode ser um instrumento para contemplar o absoluto, tanto uma passividade para receber o que deste é emitido, é verdadeiro, e mesmo não podendo ainda nos dar uma visão do absoluto em si, pode nos dar verdades. Verdades que não são o absoluto, mas que também podem se encontrar neste. Cria-se uma questão, se só o absoluto pode ser dado como verdadeiro, ou só o verdadeiro pode ser dado como absoluto. A ciência da aparência, a da consciência natural, atua nesta questão, procurando verdades sem a necessidade de um absoluto.

A ciência da aparência é um passo, mas não pode ser dada como verdadeira. Primeiro, porque enquanto palavra, não passa de uma representação contingente. Segundo, porque em prática, como experiência, não revela realmente um saber, mas só mais uma aparência. Não apresenta verdades, só o efeito de alguma verdade não aparente. Assim, como a citação acima aponta, não é uma ciência livre, só um passo. A consciência natural só oferece um conceito de saber, um saber não real. Hegel conclui que a consciência precisa através de uma experiência de si mesma, romper vários níveis de aparências aos quais seu ato de conhecer a limitou, para enfim alcançar o conhecimento que é em si mesmo, ou melhor, o conhecimento que pode, como coisa que é.
O próximo passo que Hegel oferece no desenvolvimento da consciência é estabelecer o cepticismo como modo de ação para examinar o que é verdade. Pois, não importa se o exame é próprio, da opinião, ou alheio, da autoridade, e sim que o cepticismo seja genuíno, incidindo na consciência fenomenal e levando a um desespero sobre as representações, pensamentos e opiniões pretensamente naturais. O cepticismo atuará sobre a visão unilateral da consciência natural e retirará dela o puro nada que é. Nada que apontará com seu conteúdo as inverdades da consciência não verdadeira. A determinação do conteúdo do nada, acabará por levar a um abismo vazio, que assim impulsionará a consciência a sua oposição, a determinação do que não é nada, o que é o outro. Este outro, que não é nada, acabará por levar a consciência a ir além de sua limitação, além de si. Pois, na sua carência de conhecimento, a consciência acaba por se levar violentamente a sair de si para buscar esse outro. Neste momento, segundo Hegel, pode acontecer da consciência tomar medo da verdade e aceitar a sua limitação como esta própria, se prendendo numa inércia de determinar o ser para si e nada mais. Cabe a razão lutar contra essa adequação.
Estabelecido por um cepticismo a busca de um nada, que por fim levará a conclusão da necessidade da busca de um outro, Hegel apresentará um método de desenvolvimento para prosseguir, a necessidade de uma base como padrão de medida para comparação. Um padrão que deve ser aceito para na comparação determinar a validade dos resultados. O aspecto determinado da consciência que se revela no relacionamento entre esta e o ser em si, é o ser de algo revelado pelo saber. Nossa medida, então, é o saber fenomenal do ser de algo, que entra em oposição com o ser em si. O em si é a verdade. Porém, esta investigação não nos oferece no final este ser em si, mas sim, o ser para nós. Um ser cuja medida estaria em nós e não necessitaria de validação. Entretanto, esta medida em nós, implicaria a consciência, e a consciência tem a determinação do seu ser em si, logo servindo de medida para um outro Em-si.

Na consciência e na sua relação com o outro podemos, então, estabelecer o saber como conceito, ser-para-um-outro, e a essência como objeto, ser-em-si-mesmo. E o exame nela, como a correspondência do conceito ao objeto, ou vice versa. Um exame que nesta etapa só tem como medida a consciência em si, e compara o momento em que o ser é em-si para ela, com o momento do seu saber sobre o ser. Caso não haja correspondência, a consciência tenta adequar seu saber sobre o objeto. Porém, ao fazê-lo, este novo saber altera sua visão do objeto, que se torna um outro, que não mais pode corresponder a este saber. Assim, o em-si não era em-si, era em-si para a consciência. O exame se revela como a experiência para determinar tanto o saber, tanto o seu padrão de medida. Por esse movimento dialético que avança pelas várias aparências do objeto, é que prossegue a consciência. Cada aparência revela o conteúdo do nada que impulsionará para o outro da próxima aparência. O saber do objeto se torna o ser-para-a-consciência do Em-si, que por fim se torna uma nova figura do objeto a ser examinada. Esta série de experiências da consciência tem por objetivo se despir da aparência de si própria, através do conhecer do outro, ela busca seu verdadeiro saber, e com este sua verdadeira essência. Conhecida sua essência, a consciência pode finalmente buscar o saber absoluto.

Resumindo, a consciência natural só pode nos oferecer suas limitações e um campo para questionamento, com o cepticismo essas limitações são reveladas, e a inverdade do que percebe ou a afeta, acaba por apontar para um outro que esta além dessas limitações. O outro não pode ser conhecido em si, porém pode servir de espelho para o próprio em si da consciência, revelando através de experiências que esta faz, sua visão errada do objeto. Cada aparência atravessada, não faz por chegar mais próximo do objeto em si, mas sim, do saber da consciência em si. Quanto mais inverdades ela encontra na sua relação com o outro, mais a consciência se vê. Findadas as aparências, a consciência atinge o seu em si, e alcança seu estado filosófico, podendo finalmente como verdade que se reconhece dentro do absoluto, buscar o saber desse absoluto.  

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