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quinta-feira, fevereiro 25, 2010

No Silêncio da Noite de Nicholas Ray

Um romance trágico, um drama sobre a confiança entre um casal envolvido no mistério. O protagonista é Humphrey Bogart, ou seja um anti-herói trágico, sério, com poucas expressões faciais, que por acaso é um roteirista de Hollywood. A idéia é sair um pouco do esquema de filme Noir,  mostrar um assassinato, dar um mistério para ser resolvido no final, mas não focar nele, mas num romance. Atingir tanto os homens que gostam de se imaginar como Bogart, como as mulheres que têm atração por homens de idade avançada com aparência semi-morta, e expandir também para mulheres que gostam de relações violentas, mas dando uma moral no final.
   
Bogart deve ser um homem frio, violento, porém também amigável, conhecendo todo mundo, do policial ao bêbado, tratando eles bem,  mostrando certa consciência apesar de seu desinteresse. Para dar um ar mais simbolístico a história, ele pode ter uma relação psicológica com o ato de dirigir.  O personagem deve ter um nome bem másculo como John Iron ou Dixon Steele, representando um verdadeiro roteirista de Hollywood, respeitado, lutador, o tipo de homem que você nunca se atreveria a olhar de lado, como Truman Capote.

   
A mocinha é Gloria Grahame, uma mulher decidida que sabe o que quer, uma versão feminina de Bogart, claro que uns 30 anos mais jovem, já que nós não contratamos mulheres da idade dele para romances.  Já que ela é decidida, suas dúvidas devem mover a história.
   
Outros personagens só devem existir para cumprir alguma função no romance, assim podemos ter o agente de Bogart, como o amigo que sempre o motiva; o ator bêbado, como um membro da indústria cuja existência lhe revela seu possível fim; o policial, que ao mesmo tempo pode mover a história do crime e participar de trama do romance e, por fim, a empregada para colocar a dúvida na cabeça da mocinha.   
   
Primeiras Seqüências. Revelamos quem é Bogart: dirige carro, bebe, bate em pessoas que ofendem seus amigos, tem bloqueio literário já há algum tempo. Iniciamos a trama do crime: conhece garota ingênua, leva-a para sua casa, mas por estar cansado demais, não faz nada e a manda para casa, no dia seguinte policial amigo revela que ela foi assassinada. Simultaneamente iniciamos a trama do romance: mocinha é a vizinha e também a testemunha que vê a mulher indo embora. No quartel da policia estabelecemos seu primeiro ato de indiferença  quando sabe da morte da garota, e ao mesmo tempo começamos o romance com a mocinha, revelando seu interesse.  Segue-se cena para criar simpatia com o público: ele manda flores para o cadáver. Porém, para dar mais impacto a dúvida do assassinato, mais uma ato de indiferença é necessário, assim, no jantar, Bogart reencena com perfeição como acredita ter sido o assassinato.
   
Romance se desenvolve, Bogart e mocinha passam a morar juntos, ele volta a escrever.  Agente amigo estabelece que nunca o viu melhor. Dúvida prevalece, é assassino ou não? Agente não pode dizer com certeza. Mocinha é movida na dúvida por empregada. Segue-se seqüência para futura reviravolta: Mocinha é chamada ao quartel da policia para interrogatório, não revela a Bogart.
   
Noite na praia, casal Bogart e mocinha saem com amigo policial e esposa. Com um elenco limitado em que todo personagem está envolvido na trama de alguma forma, por acidente é revelada a mentira da mocinha. Segue-se seqüência que decidirá o fim do filme, a violência de Bogart é revelada ao vivo para mocinha pela primeira vez, ele sai desesperado de carro e espanca outro motorista. Cena para simpatia necessária: no dia seguinte,  ele manda dinheiro para o homem pelo correio.  Moral da história: você pode matar, estuprar, espancar, fazer qualquer coisa com as pessoas que encontra na rua, desde que depois pague a elas pelo serviço.
   
Dúvidas da mocinha vão lentamente aumentado, Bogart, feliz, vai escrevendo e decide fugir com ela após o término do novo roteiro.  Mocinha afundada na dúvida decide fugir dele, compactua com o agente amigo, lhe dá o roteiro para que seu sucesso sirva de compensação pela fuga. Segunda seqüência decisiva para o final, mais violência para estabelecer personagem: durante o jantar de comemoração, a mocinha está ausente, e assim, a nova mentira é revelada, sua fuga, mais uma vez Bogart fica desesperado, bate no agente amigo que lhe traiu compactuando com a mocinha.
   
Seqüência final: Bogart chega em casa, com a mocinha se preparando para ir embora, depois de tantas mentiras, não confia mais em nada que ela diz.  Discussão acaba com Bogart descontrolado, tentado enforcar a mocinha. Chefe de polícia liga, revela que ele não é o assassino.  Tarde demais, ela não agüenta a violência dele, ele não agüenta as mentiras dela.
   
Observações finais. Lembrar dos patrocinadores, todos os personagens devem fumar pelo menos uma vez a cada 5 minutos do filme. Adicionar de vez em quando comentários irônicos sobre a vida na indústria cinematográfica.

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