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quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Eu, Decartes, Deus

Decartes inicia suas meditações para provar a existência de Deus a partir da analise de seu próprio conhecimento. Para isso, usa seu método científico, que consiste em primeiro não aceitar qualquer proposição que não possa ser dada como verdadeira, como tal, sem antes obter provas disso, acima de qualquer grau de dúvida; segundo, dividindo o problema no maior número de partes possíveis, para após poder analisá-las e solucioná-las em separado, fazendo-o de forma que comece pelas questões mais simples, a subir para o conhecimento das mais complexas; por fim, formulando uma proposição completa que não omita nenhuma outra questão. Assim, tendo isso em vista, Decartes inicia sua meditação por uma limpeza de tudo que possa ser opinião falsa embutida em sua mente. Começa por considerar que tudo que um dia lhe passou uma falsa percepção é duvidoso e, logo, mesmo não sendo necessariamente falso, não pode ser dado como verdadeiro. Para não se perder em analises infinitas, ele vai as bases de suas percepções, seus sentidos, chegando a conclusão que estes já o enganaram diversas vezes. Depois, passa para a analise da realidade, do mundo em si, e chega a conclusão que se comparar essa realidade com seus sonhos, não encontra nenhuma diferença de percepção. Nada o impede de sempre estar sonhando tudo ao seu redor. Porém, disso também chega a uma certeza, a realidade é duvidosa, mas suas faculdades perceptivas, não, elas se mantêm numa constante. Tudo que vê é organizado por figura, quantidade, espaço e tempo, o que não pode ser negado. Por fim, Decartes chega a conclusão que nem as proposições mais básicas podem não ser consideradas duvidosas, pois mesmo questões matemáticas como dois mais três igual a cinco, não podem ser dadas como certas, já que a própria lógica que as dá como certas, pode ser produto de uma enganação. O que abre a porta para sua questão, a existência de Deus. Pois um Deus bom não deveria permitir um mundo criado para enganar suas criações.


Descritas a dúvidas universais, Decartes vai em busca do que disso se manteve, e o que sobra é seu próprio pensamento. O pensamento que permite dizer que é, e que existe. Fica estabelecido, que se pode duvidar de tudo isso, logo pensa, e se pensa, logo é, existe. É um ser que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que imagina e que sente. Com toda sua dúvida, mas a partir dessa própria dúvida, isso pelo menos pode dar como certo. Uma certeza, não das maiores, mas o suficiente para começar. Começar concluindo que se há um mundo fora de si, este só pode ser acessado indiretamente, só pela mente e nada mais, por todas as idéias em si. Como prova, Descartes usa o argumento da cera, analisando que por nossos sentidos, nós podemos descrever certas características de um pedaço de cera: sua textura, cor, tamanho; porém ao levarmos esta cera ao fogo, ela muda completamente, e mesmo assim nós ainda a consideramos como cera, logo, não são nossos sentidos que dizem o que é a cera, mas nossa mente, nossas idéias, estas são a única constante. Pois, nossas idéias são as representações das coisas exteriores, não necessariamente sendo estas, mas são a constante que forma nosso conhecimento.

    Estabelecidas suas certezas, que é e existe, já que duvida, e logo pensa, e que tudo no seu pensamento é feito de idéias, que podem ser representações de coisas exteriores, Decartes vai em busca da prova de Deus. Para isso, primeiro conclui que existem três tipos de classes de idéias: os desejos, os sentimentos e os julgamentos; e estás podem ser analisadas por questões de causa e efeito, podendo ser tanto de proposições falsas, quando somos enganados por nossos pensamentos, ou verdadeiras, quando não o somos. Estabelecido isso, também busca a possível origem de cada idéia, chegando também a três categorias: a das que sempre tivemos, que se originaram conosco, a das que criamos, que inventamos e a das que vem do exterior. Chegando a conclusão que todas essas idéias tem de ter uma causa primaria, uma causa a que representam mesmo que imperfeitamente. Até as inventadas, já que só podemos inventar algo a partir de algo existente. Tendo as idéias uma causa, e supondo que não há um Deus enganador, que nos ofereça uma lógica falsa, chega-se a conclusão que as idéias mais perfeitas, que mais se distanciam a qualquer dúvida, são idéias que representam as coisas exteriores com mais clareza. Pois, o quanto mais perfeita a idéia, mais próxima está ela daquilo que representa. Assim, se estabelecem as bases para a prova de Deus. Nós temos a idéia de Deus, que é um infinita e perfeita substância, logo está idéia deve ter uma causa, já que nada vem do nada. Uma causa que deve ter uma realidade formal tão perfeita como sua idéia. Só o perfeito pode causar a idéia do perfeito, logo, se não somos perfeitos, não podemos ser a causa do perfeito, não pode ser uma idéia que inventamos. Sua causa só pode ser uma também infinitamente perfeita, assim, há um Deus.

O primeiro argumento para existência de Deus parte, porém, da idéia que nossa lógica nos permite reconhecer certamente as idéias, e que não somos enganados por uma força exterior. Assim, outro argumento se faz necessário, um que prove que há um Deus, para provar que esse primeiro argumento não é um produto de uma enganação. Para formular o segundo, um acima de qualquer dúvida, temos que voltar, então, ao início, a certeza básica, que se alguém dúvida, pensa, deve existir. Se isso é dado como certo, logo essa existência deve ter uma causa. Primeiro, esse ser não pode ser a causa de si próprio, pois se dúvida e não sabe de tudo, não é perfeito, e não faria sentido ele ter se criado imperfeito. Segundo, não pode ter sempre existido, porque nada indica uma existência continua, além da presente. Terceiro, nada diz a origem a partir do  mundo exterior, a paterna, que nada prova além de um regresso infinito de perguntas sobre essa origem. Quarto, não pode ser originado de algo menos perfeito que Deus, pois se o fosse, tal coisa não daria a idéia de algo tão perfeito como Deus. Logo, esse ser que existe só pode ser originado de Deus. Com isso, se estabelece que se existe um ser que pensa, logo existe um Deus que o criou, um Deus perfeito e bom, que não lhe oferece uma realidade enganadora. O segundo argumento tanto sustenta o primeiro, como também serve de prova ontológica definitiva para existência de Deus.

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