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Aqui você encontra um índice completo dos textos postados no site. Sejam amostras dos livros à venda, seja artigos de cinema e filosofia. ...

quinta-feira, novembro 29, 2018

Cuca Fodida (2018)

(133 págs. com 29 contos: Divina Disneylândia; É batata!; Crônica Póstuma de uma Capivara; Bolinhos de avelã com mousse de chocolate e baunilha; Paranoia; Um ensaio sobre a simbiose; Querido, não é meu!; Zé Sarnento, Presidente de El Dourado; Orifícios nasais; Queimaram a casa do governador!; Chica, a viadeira das espírita, e seus três amores; Coração, pedra partida; michaelJacksonia; BRS3; Jacarés no meu armário; O último funeral; A Santa; Cinemateca infinita no fim do Universo;Isaac e Jacó: Detetives Românticos; O último natal; Pacata; Dr. Bobodavits Bobodágua Bobolitus; Clube Literário: Modo de usar; Não só mais uma face bonita; Incidente Coca-Cola; Uma velha, um facão e um martelo; Senhor Bologogofos e as colegiais japonesas; Seja educado, por favor! ; ? – A vida no além de Amy Winehouse) 

domingo, novembro 04, 2018

Eu, eu mesmo e eu de novo - Parte II: Eterno Retorno, de novo - Lobisomem

Aqui segue o primeiro capítulo da segunda parte do livro Eu, eu mesmo e eu de novo.


Parte II: Eterno Retorno, de novo.


33. Lobisomem

Atravesso a Praça XV, marco zero do Rio de Janeiro, viaduto atravessando gigante sujando o que resta da paisagem, o céu. Mendigos, skatistas, refugiados de Niterói, ternos-gravatas da máquina estatal a atravessar a superfície, catacumbas úmidas no subterrâneo. Paço Imperial, à minha esquerda, onde imperadores se masturbaram; Arco do Teles, à direita, onde os bêbados ainda se masturbam nas noites do fim da semana; para trás, as barcas, a válvula de escape das hordas de Niterói, do outro lado da poça de Guanabara; mas isso não significa absolutamente nada. Estou em outra dimensão, onde essas localizações subjetivas nada significam, começo a evaporar. Minha pele está a formigar, radioativa, soltando partículas verdes e azuis, vibrando com o próprio tecido da realidade, pulsando com todas as vibrações desta, todas as linhas ao redor que a compõe, uma teia. Tudo é puxado, tudo puxa, parte evapora entre os fios. Quero correr, pular, me sentindo acordando como um lobisomem ao meio-dia. Selvagem, sedento, furioso, excitado, se preparando para sair da cova, escalar prédios, chegar no topo e começar a uivar. Uivar e arrancar minha pele formigante, que tanto me incomoda. Primeiro de Março, antes rua da direita, primeiro de março em comemoração ao fim dos banhos de sangue no Paraguai, para trás, Palácio Tiradentes, Alerj, Assembleia dos Deputados, Q.G. dos piores ladrões, assassinos, estupradores, pedófilos do Rio de Janeiro, emitindo um fedor tremendo para o redor da estátua de Tiradentes, o herói imaginário de um pedaço de terra sem heróis. Sigo à direita, igrejas e prédios estatais que viraram centros culturais, carros e pessoas para todos os lados se amontoando, viro na Rua do Ouvidor, um dia a mais importante rua da cidade, hoje só um corredor estreito de sombras, circundado de altos prédios cinzas. Poças, pedras, camisas sociais de cores passivas, uniformes de secretária.

quarta-feira, outubro 17, 2018

Mantenha a calma, não há rinocerontes neste livro! (2017)

(200 págs. com 34 contos: Livro dos Unicórnios: A Criação; Estefânio depois da vagina; A verdade sobre os suicídios na UERJ; Do amor, da Morte; Uma história de três menininhas na Lapa; Cabeça de Baratas; Procurado No-El; Ô Floris, Florisbela; As três irmãs; Longa jornada estrada afora; Welcume à Yěshēng yīndào; O baile da menina triste; Admirável mundo velho; O julgamento; Lobo Mau; Novela mexicana; Ônibus vermelho de Marte; Ex-cadas de degraus; Deutschland Dancefloor Klub; Livro dos Unicórnios: do homem e da mulher; Naquele degrau, pisei nas costelas; Ninho da guerra; Cabaret Extraordinaire; Gigi Stradivarius contra o Salmonela; Nova Zelândia; Ela matou…; João e Maria; O traficante de Zô; Um homem chamado Jacó; Nunca aposte sua cabeça com a turca; O religioso; Tornei-me Shiva, destruidor de mundos; We’ll meet again some sunny day; Um dia ordinário na vida de Serginho Calabresa)

sexta-feira, abril 14, 2017

Amor à flor da pele de Wong Kar-Wai

Texto retirado do meu livro Turbilhão de lembranças em neon: Amor, desejo e memória no cinema de Wong Kar-Wai. R$5 na Amazon.


Amor à flor da pele é um filme sobre a criação de momentos, de lembranças, de movimentos na realidade, de como esses podem culminar num amor, e como este amor pode ser interrompido por pressões externas que se tornam internas.

Somos apresentados a dois casais que se mudam para quartos em apartamentos vizinhos. O marido do apartamento da esquerda, Chow Mo-wan (Tony Leung), conhece a esposa do apartamento da direita, Su Li-zhen (Maggie Cheung). Sim, a mesma Su Li-zhen de Dias Selvagens, casada e já distante da lembrança do pássaro que não podia pousar, o fei. Durante todo filme a câmera nos oferecerá a imagem-percepção de suas vidas, e a imagem-afetação de seus sentimentos. A esposa do primeiro e o marido da segunda habitaram um mundo fora de câmera, quase em off. Ou, quando aparecerem na frente desta, estarão de costas ou embaçados, longes da nossa visão - e nós, longe de seus sentimentos. Kar-Wai concentra toda a realidade que vemos na tela nos dois protagonistas. Ou seja, não necessariamente neles, mas nos sentimentos que desenvolvem um pelo outro.

sábado, maio 21, 2016

O desastre de X-Men Apocalipse Sem Spoilers

X-Men Apocalipse é um desastre, e eu já sabia que ia ser assim. Mais um episódio da saga, por favor Fox contrate outra pessoa para fazer esses filmes ou dívida as tarefas com a Marvel. Eu sugiro o diretor do Deadpool. Esse comentário não trará spoilers que já não possam ser vistos nos trailers, que sinceramente já tem o filme inteiro. 

Eu aprendi a ler com os quadrinhos de X-Men e sou um fã dos personagens. Quando foi lançado o primeiro filme, do mesmo diretor do atual, Bryan Singer, foi emocionante ver pela primeira vez esses personagens no cinema. Alguns anos depois, eu já não estava mais tão impressionado assim. Mas eu continuei assistindo, e continuei vendo os mesmo problemas sendo repetidos. Eu aprendi todos os cacoetes do diretor. Então, vamos lá, começando com o vilão, o Ivan Ooze, já que sim, todos os temores que os fãs tinham vendo as fotos do personagem se concretizaram. O Apocalipse desse filme está mais para um vilão dos Powers Rangers que qualquer outra coisa. Ele é um cara baixinho, usando uma roupa de vilão de borracha, de programa infantil, com os poderes infinitos de um deus, porém incrivelmente incompetente usando eles nos seus objetivos. Em falar em poderes, acho que a maioria dos mutantes nesses filmes são poderosos de mais e sem fazer nenhum esforço para isso. Só raras vezes os X-Men dos quadrinhos chegaram a ter poderes quase divinos e quase sempre com graves consequências. É incrível como com tantos poderes o povo desses filmes pode ser tão incompetente e nunca conseguir o que quer. 

terça-feira, maio 10, 2016

Eu, eu mesmo e eu de novo: Cap. 1 - Longa jornada Novo Rio - Tiete

Aqui segue o primeiro capítulo de amostra do livro Eu, eu mesmo e eu de novo, a direta continuação do Meu ano sem ela.






1. Longa jornada Novo Rio – Tiete

“Give me the child.
Through dangers untold and hardships unnumbered,
I have fought my way here
To the castle beyond the goblin city
To take back the child that you have stolen,
For my will is as strong as yours,
And my kingdom is great.
Damn.
I can never remember that line.”

Labyrinth, 1986

            Longa jornada para São Paulo. Seis horas dentro de um ônibus, rodoviária Novo Rio, para a Tiete, minha mente no centro de um tornado. “Eu te amo, eu te amo, eu te amo.” Na cadeira ao lado, um buque de flores improvisado numa corrida pela manhã no camelódromo da Uruguaiana. De plástico, pois as vivas nunca vivem, e essas tem de viver. Vermelhas, não pretas, ela já tem um buque de flores pretas sobre a sua tv, foi o primeiro que lhe dei, ela gosta. Mas hoje quero ser clichê, o máximo de clichê do mundo, pois estou sendo tragado de novo para ele, para aquilo que os outros fazem e eu pensei não fazer mais parte. Ontem estava mudo, um muro estático de concreto a beira de um abismo, com as vigas do esqueleto a ranger, hoje tenho tudo a dizer, tenho tudo a consertar, tudo a conectar. “Eu posso fazer isso certo. Eu entendo o significado daquele abraço forte que você me deu do nada. Eu entendo que foi minha culpa. Minha culpa e eu posso consertar tudo. É isso que eu sou bom de fazer, entender e consertar. Entender e consertar.” Longa, longa jornada para São Paulo.
            - Essa é uma história que nunca venderia um livro. - disse uma vez para ela. - Uma história para ser interessante precisa de tragédia, precisa de confusão, por isso nunca vou escrever sobre a gente, nós não temos um pingo disso. - E tudo se despedaçou.

segunda-feira, maio 09, 2016

Game of Thrones: Crônicas de um espectador da 6º Temporada


Game of Thrones - Técnicas para acabar uma série em duas temporadas, já que não temos mais os livros, e o contrato original dos atores acaba na próxima temporada:

- Mate todo mundo que os espectadores não se importam.
- Junte todo mundo popular nas mesmas localizações.
- Ignore qualquer trama mais complexa dos livros que ainda não foi usada. Se ela for realmente necessária, use um dos personagens populares, só não o mate no processo, mesmo que isso tenha acontecido no livro e faça mais sentido.
- Substitua essas tramas pelos personagens mais populares andando e falando sobre coisas que todo mundo já sabe.
- Se não souber o que fazer, resolva com algo sobrenatural. Não precisa seguir a lógica causal do livro ou das outras temporadas de como esse sobrenatural se comporta. Ninguém vai notar.
- Flashbacks.

Spoilers de coisas que aconteceram nos livros e não vão acontecer na série:
A libertação dos dragões da Daenerys ocorre no quinto livro, mas não é o Tyrion o responsável por ela, e nem isso acaba de forma tão amigável. Quem liberta os dragões é Quentyn Martel, o segundo filho de Doran Martel, que por coincidência é morto já no começo dessa temporada. Quentyn é um personagem ponto de vista no quinto livro, e acaba em Meereen atrás da Daenerys, porque sua família fez parte de um pacto após a queda dos Targaryens, de num momento mais propício, restabelecê-los no poder. No pacto a filha de Doran, também inexistente na série, casaria com o irmão da Daenerys. Como este segundo foi morto pelo Khal Drogo, mandaram o Quentyn para dar continuidade ao pacto. O Quentin e um grupo de cavalheiros, após servir um tempo com os mercenários Corvos Tormentosos, chega em Meereen, mas ai A Daenerys já está para casar com o  Hizdahr zo Loraq. Após a Daenerys sumir com o dragão, Quentyn, que é do mesmo tipo de nerd que o Tyrion, só não odiado pela família, decide provar seu heroísmo tentando domar os outros dois dragões aprisionados. Ele os liberta e é incinerado por um deles, por que você sabe, dragões, é isso o que eles fazem, em vez de engatinhar para o outro lado da caverna. 


segunda-feira, abril 25, 2016

Crônica Póstuma de uma Capivara



Aviso: Segue-se aqui uma crônica escrita pelo requisitado pedólatra Augusto Capivara, originalmente pretendida para publicação na sua coluna matutina do jornal Diário Avestruz em 25 de julho de 1969. Porém, por razões desconhecidas, inédita até a presente data. Também recebendo destaque por ter sido a sua última, antes do seu desaparecimento num furgão preto à frente de um bar da rua Senador Vilela naquela mesma tarde.

Sabem... americanos são uns sujeitos estranhos. Adoram mexicanos trabalhando em suas fazendas, mas quando vem um brasileiro fazer em sua terra um trabalho de investigação, eles são um empecilho atrás do outro. Estava lá, na Florida, Cabo Canaveral, enviado do nosso amado Avestruz para cobrir a chegada do homem a lua. E repito, a chegada do homem a lua! Não passei por uma série de cadastramentos e credenciamentos para chegar lá e ficar sentado numa sala com outros jornalistas, enquanto uma bala gigante era atirada contra a atmosfera. Mas não, insistiram, só podia ficar ali sentado. Chamaram-me de maluco por demandar meus direitos – e repito, muito bem credenciados – de subir no foguete. 

Claro, que não ia ficar sentado e voltar para o meu chefe com as mãos abanando. Roubei um uniforme, me infiltrei entre os funcionários do lugar e cheguei até o foguete. Porém, quando averigüei que o espaço dentro da nave era pequeno, tive de bolar uma outra estratégia. A situação estava complicada, mas tudo me ficou bem claro quando um dos astronautas, o Mike, me pegou despercebido em um dos seus vestiários. Dei-lhe umas bofetadas, enfiei-lhe dentro de um armário, e tomei seu lugar. Sim, a vida de brasileiro trabalhando no exterior é difícil! Agora, estava feito, foi só botar o uniforme seguir tudo que me mandavam, respondendo um “Ahan” a qualquer coisa que me diziam. “Michael, is the heating system at the right levels?” “Ahan” “Michael, have you placed the protection for the self-destruct button?” “Ahan” “Michael, are you shure the left wall of the lowers levels is not on fire?” “Ahan” “Michael, have you flush the toilet?” “Ahan”. Porém, mesmo com toda a minha destreza comunicacional, já no segundo dia de viagem, descobriram meu disfarce. Foi um escândalo, gente gritando “Fuck you!” no rádio sem parar, o Neil tendo um ataque de nervos, o Mike chorando em meio aos “Fuck you Capivara!”, só o Ed ficou bem com a situação, sempre sorrindo, enquanto fumava seu baseado. Mas o que eles iam fazer? Me jogar para fora? Ia ser uma desfeita tremenda explicar como eu cheguei ali. Então, do nada minhas credenciais e cadastros foram  finalmente reconhecidos e virei o repórter oficial da missão.

Confesso que quatro dias com Neil Armstrong num cubículo pode levar qualquer um a loucura – o homem é um saco. Quando não dava chiliques com as coisas que eu quebrava dentro da nave, ficava horas e mais horas ou falando de sua prima Mary-Sue, ou relatando sua juventude no campo olhando para as estrelas. Provavelmente, enquanto estava vidrado com as estrelas, Mary-Sue devia estar muito bem vidrada em alguma parede de celeiro, enquanto um forasteiro a cavalgava. 

Finalmente, depois de muito sofrimento, pousamos aquela geringonça na lua. Obviamente, eu devia ser o primeiro a sair. Já tinha até a minha frase preparada para as TVs: esse é um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco para a minha carteira! Mas não… não!!! O senhor Neil fresco tinha que causar problema com isso. Nem para dar uma chance para um pobre jornalista. Claro, que fomos decidir isso nos punhos. É… é com muita vergonha que admito que aquele rapaz do Ohio é bem exercitado, pois quando voltei a consciência, já estavam os dois lá fora há algum tempo. Saí, terceiro homem na lua – que disparate! E saí com uma vontade de mijar. Enquanto, os dois abobados jogavam golfe, fui procurar alguma grande cratera para mijar. Devo dizer agora que acho que todo homem tem de experienciar pelo menos uma vez na vida o que é mijar no vácuo. É uma sensação a qual nenhuma prostituta de Copacabana pode se comparar.

Quando voltei daquela tremenda experiência, mais uma vez encontrei o senhor fresco dando um chilique. Porém, dessa vez até eu fiquei pasmo. E olha que para Capivara ficar pasma, tem de ter razão. Ele e o Ed estavam ao redor do que era obviamente os destroços de um balão. Pude notar dois esqueletos despedaçados ao redor do pano do balão. Além de o mais intrigante, marcas de um ataque por flechas. Mas isso, meus amigos, fica para a coluna de amanhã! Não percam!       

segunda-feira, abril 04, 2016

Índice

Aqui você encontra um índice completo dos textos postados no site. Sejam amostras dos livros à venda, seja artigos de cinema e filosofia.

- Eu, eu mesmo e eu de novo
- Mantenha a calma, não há rinocerontes neste livro

- Meu ano sem ela

- Cuca Fodida

Um grito no Vazio para o Nada 

- Sarah e outros contos além da barreira

- Outros Textos

- Crônicas

- Cinema

- Filosofia