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Contos de Fada Eróticos no Rio de Janeiro: O traficante de Zô - Parte I

Bem-vindo a série de Contos de Fada Eróticos no Rio de Janeiro. Começando com uma adaptação do Mágico de Oz. Obs.: Aviso para quem for fre...

sexta-feira, abril 14, 2017

Amor à flor da pele de Wong Kar-Wai

Texto retirado do meu livro Turbilhão de lembranças em neon: Amor, desejo e memória no cinema de Wong Kar-Wai. R$10 na Amazon.


Amor à flor da pele é um filme sobre a criação de momentos, de lembranças, de movimentos na realidade, de como esses podem culminar num amor, e como este amor pode ser interrompido por pressões externas que se tornam internas.

Somos apresentados a dois casais que se mudam para quartos em apartamentos vizinhos. O marido do apartamento da esquerda, Chow Mo-wan (Tony Leung), conhece a esposa do apartamento da direita, Su Li-zhen (Maggie Cheung). Sim, a mesma Su Li-zhen de Dias Selvagens, casada e já distante da lembrança do pássaro que não podia pousar, o fei. Durante todo filme a câmera nos oferecerá a imagem-percepção de suas vidas, e a imagem-afetação de seus sentimentos. A esposa do primeiro e o marido da segunda habitaram um mundo fora de câmera, quase em off. Ou, quando aparecerem na frente desta, estarão de costas ou embaçados, longes da nossa visão - e nós, longe de seus sentimentos. Kar-Wai concentra toda a realidade que vemos na tela nos dois protagonistas. Ou seja, não necessariamente neles, mas nos sentimentos que desenvolvem um pelo outro.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Monte Roraima: Parte I

Alguns acreditam que o fim da terra se encontra no Acre. Mas aqueles que nisso acreditam estão errados, pois o Acre não existe. É só uma das mais antigas falcatruas de um famoso cartel de políticos brasileiros. Um estado inteiro imaginário para receber investimentos de fundos que vão diretamente para o bolso desses políticos. O fim da terra se encontra mesmo em outro lugar, em Roraima, na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana. Estamos falando do Monte Roraima. A maior montanha de topo plano do mundo, acima dos mil metros de altura. Há 10 anos minha morada.

Moro numa área da montanha que por alguma razão nenhum nativo ou turista chega perto. Não sei exatamente por quê. Cheguei aqui também como um turista, e foi num dia isolado de meu grupo, que encontrei entre nevoas e grandes pedras dilapidadas pela ação do vento, a casa. Uma casa de arquitetura gótica construída em pedra. Imaginem minha surpresa quando adentrei por uma porta lateral desta casa, e a encontrei toda mobilhada, móveis clássicos de mogno, cortinas de cetim, sem mencionar que em sua cozinha, estava servido um bom café da manhã, com café, carne de rã e ovos. Pensei: deve ser uma casa habitada.

- Alô, alguém em casa?

sábado, maio 21, 2016

O desastre de X-Men Apocalipse Sem Spoilers

X-Men Apocalipse é um desastre, e eu já sabia que ia ser assim. Mais um episódio da saga, por favor Fox contrate outra pessoa para fazer esses filmes ou dívida as tarefas com a Marvel. Eu sugiro o diretor do Deadpool. Esse comentário não trará spoilers que já não possam ser vistos nos trailers, que sinceramente já tem o filme inteiro. 

Eu aprendi a ler com os quadrinhos de X-Men e sou um fã dos personagens. Quando foi lançado o primeiro filme, do mesmo diretor do atual, Bryan Singer, foi emocionante ver pela primeira vez esses personagens no cinema. Alguns anos depois, eu já não estava mais tão impressionado assim. Mas eu continuei assistindo, e continuei vendo os mesmo problemas sendo repetidos. Eu aprendi todos os cacoetes do diretor. Então, vamos lá, começando com o vilão, o Ivan Ooze, já que sim, todos os temores que os fãs tinham vendo as fotos do personagem se concretizaram. O Apocalipse desse filme está mais para um vilão dos Powers Rangers que qualquer outra coisa. Ele é um cara baixinho, usando uma roupa de vilão de borracha, de programa infantil, com os poderes infinitos de um deus, porém incrivelmente incompetente usando eles nos seus objetivos. Em falar em poderes, acho que a maioria dos mutantes nesses filmes são poderosos de mais e sem fazer nenhum esforço para isso. Só raras vezes os X-Men dos quadrinhos chegaram a ter poderes quase divinos e quase sempre com graves consequências. É incrível como com tantos poderes o povo desses filmes pode ser tão incompetente e nunca conseguir o que quer. 

terça-feira, maio 10, 2016

Eu, eu mesmo e eu de novo: Cap. 1 - Longa jornada Novo Rio - Tiete

Aqui segue o primeiro capítulo de amostra do livro Eu, eu mesmo e eu de novo, a direta continuação do Meu ano sem ela. O livro será lançado até o final do ano.




1. Longa jornada Novo Rio – Tiete

“Give me the child.
Through dangers untold and hardships unnumbered,
I have fought my way here
To the castle beyond the goblin city
To take back the child that you have stolen,
For my will is as strong as yours,
And my kingdom is great.
Damn.
I can never remember that line.”

Labyrinth, 1986

            Longa jornada para São Paulo. Seis horas dentro de um ônibus, rodoviária Novo Rio, para a Tiete, minha mente no centro de um tornado. “Eu te amo, eu te amo, eu te amo.” Na cadeira ao lado, um buque de flores improvisado numa corrida pela manhã no camelódromo da Uruguaiana. De plástico, pois as vivas nunca vivem, e essas tem de viver. Vermelhas, não pretas, ela já tem um buque de flores pretas sobre a sua tv, foi o primeiro que lhe dei, ela gosta. Mas hoje quero ser clichê, o máximo de clichê do mundo, pois estou sendo tragado de novo para ele, para aquilo que os outros fazem e eu pensei não fazer mais parte. Ontem estava mudo, um muro estático de concreto a beira de um abismo, com as vigas do esqueleto a ranger, hoje tenho tudo a dizer, tenho tudo a consertar, tudo a conectar. “Eu posso fazer isso certo. Eu entendo o significado daquele abraço forte que você me deu do nada. Eu entendo que foi minha culpa. Minha culpa e eu posso consertar tudo. É isso que eu sou bom de fazer, entender e consertar. Entender e consertar.” Longa, longa jornada para São Paulo.
            - Essa é uma história que nunca venderia um livro. - disse uma vez para ela. - Uma história para ser interessante precisa de tragédia, precisa de confusão, por isso nunca vou escrever sobre a gente, nós não temos um pingo disso. - E tudo se despedaçou.

segunda-feira, maio 09, 2016

Game of Thrones: Crônicas de um espectador da 6º Temporada - 6x02 Home

Bem-vindo a esta série de crônicas semanais sobre a sexta temporada de Game of Thrones. Começando do segundo episódio, já que no primeiro não aconteceu nada. 

Game of Thrones - Técnicas para acabar uma série em duas temporadas, já que não temos mais os livros, e o contrato original dos atores acaba na próxima temporada:

- Mate todo mundo que os espectadores não se importam.
- Junte todo mundo popular nas mesmas localizações.
- Ignore qualquer trama mais complexa dos livros que ainda não foi usada. Se ela for realmente necessária, use um dos personagens populares, só não o mate no processo, mesmo que isso tenha acontecido no livro e faça mais sentido.
- Substitua essas tramas pelos personagens mais populares andando e falando sobre coisas que todo mundo já sabe.
- Se não souber o que fazer, resolva com algo sobrenatural. Não precisa seguir a lógica causal do livro ou das outras temporadas de como esse sobrenatural se comporta. Ninguém vai notar.
- Flashbacks.

Spoilers de coisas que aconteceram nos livros e não vão acontecer na série:
A libertação dos dragões da Daenerys ocorre no quinto livro, mas não é o Tyrion o responsável por ela, e nem isso acaba de forma tão amigável. Quem liberta os dragões é Quentyn Martel, o segundo filho de Doran Martel, que por coincidência é morto já no começo dessa temporada. Quentyn é um personagem ponto de vista no quinto livro, e acaba em Meereen atrás da Daenerys, porque sua família fez parte de um pacto após a queda dos Targaryens, de num momento mais propício, restabelecê-los no poder. No pacto a filha de Doran, também inexistente na série, casaria com o irmão da Daenerys. Como este segundo foi morto pelo Khal Drogo, mandaram o Quentyn para dar continuidade ao pacto. O Quentin e um grupo de cavalheiros, após servir um tempo com os mercenários Corvos Tormentosos, chega em Meereen, mas ai A Daenerys já está para casar com o  Hizdahr zo Loraq. Após a Daenerys sumir com o dragão, Quentyn, que é do mesmo tipo de nerd que o Tyrion, só não odiado pela família, decide provar seu heroísmo tentando domar os outros dois dragões aprisionados. Ele os liberta e é incinerado por um deles, por que você sabe, dragões, é isso o que eles fazem, em vez de engatinhar para o outro lado da caverna. 


segunda-feira, abril 25, 2016

Parafuso no Espelho


 Um livro de contos surreais com leves pitadas de humor negro. Nele o leitor vai encontrar uma apresentação por Dante Alighieri dos horrores da Disneylândia; a filosofia do "É batata!", muito usada por Nelson Rodrigues; como um famoso jornalista brasileiro foi à lua em 1969; a escrituras sagradas da religião dedicada ao profeta Michael Jackson; as peripécias do presidente vitalício do maior país da America Latina, El Dourado; o sexo nasal e suas repercussões na sociedade; as desventuras românticas de Orson Welles; a maior cinemateca da realidade, contendo todos os filmes feitos, além dos só imaginados e os nem sequer pensados; a pós-vida de Amy Winehouse no céu, e muito mais!

Parafuso no Espelho. 115 págs. com 25 contos: Alô, alô, meu presidente; Bolinhos de avelã com mousse; É batata!; Crônica póstuma de uma Capivara; Divina Disneylândia - Descida à pedreira; Paranoia; Querida, não é meu!; Orifícios nasais; Chica, a viadeira das espírita; Coração, pedra partida; Michaeljacksonia; O último funeral; BRS3; Pontas dos dedos sangrando; Pacata; Crocodilos no meu armário; Um ensaio sobre a simbiose; Dr. Bobodavits Bobodágua Bobolitus; Camarões verdes fritos; Não só mais uma face bonita; Incidente Coca-Cola; A felicidade não se compra; Uma velha, um facão e um martelo; Senhor Bologodofos e as colegias japonesas; ? - A vida no além de Amy Winehouse.


Compre aqui: http://www.oitoemeio.com.br/…/oito-e-m…/parafuso-no-espelho/

Leia aqui uma amostra de um conto do livro!

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Meu ano sem ela: Cap. 9 - It’s the end of the world as we know it

 Mais um capítulo de amostra do romance Meu ano sem ela. Para ler os anteriores, clique aqui: Cap. 1-7, Cap. 8!

9 – It’s the end of the world as we know it
   
O milagre da internet proporciona até a pessoas mais relaxadas o sentimento de ser um espião da guerra fria. Antigamente dava trabalho, você tinha que ter um carro, um sobretudo, um binóculos. Seguir a pessoa, passar longos períodos de tempo em tocaias, pular cercas, olhar sem ser visto por janelas no meio da noite. Hoje em dia, você só precisa ter uma conexão de internet e uma conta numa rede social, tudo que você quer saber a pessoa lhe dará de mão beijada em sua página. Qualquer um pode ser agora um paranoico obsessivo enquanto engorda em sua mesa de computador. Obviamente, ao voltar para casa no dia seguinte, olhei seu Orkut, como fazia todos os dias. Adicionou três pessoas, três caras, e um já estava lhe deixando mensagens no seu mural. “Muito bom lá ontem, vamos fazer isso de novo!”. São exatos 4 dias entre sábado e terça, o dia que a verei de novo na aula. Imagina o que estará fazendo nesse meio tempo. Eu nesse quarto, trancado, só tendo contato com as pessoas ruins que relincham atrás da porta. Isso não pode acontecer. Imagina, pode até já estar planejando sair hoje mesmo, uma outra festa para sábado. E eu aqui em casa, olhando para o teto e contando os segundos. Tenho de sair. Tenho que fazer o mesmo que está fazendo, tenho de ser melhor que ela. Quem sabe, posso encontrar alguém que me tratará direito, poderei esquecê-la. Ligo para uns amigos, se surpreendem, não marco nada com eles há séculos. Nesse um ano, foram raras as vezes que sai com outras pessoas sem ser ela. Mas agora estou de volta, tenho de sair fora dessa caixa que está me engolindo.