quarta-feira, maio 01, 2013

Um dia na vida de Serginho Calabresa, governador da Fossa de Janeiro



8:35 Acordar. Sonho com índios. Queimo um na rua.
8:37 Escovar os dentes.
8:45 Cheirar cocaína.
9:00 Ligar para subintendente. Resolver problema do incêndio.
9:25 Café da manhã com suco de laranja, ovo, torradas e uma rodela de abacate.
9:45 Cheirar cocaína.
9:55 Suco de laranja.
10:00 Tomar banho e me vestir.
10:35 Pegar helicóptero para o Palácio.
10:55 Reunião com investidores alemãs.
11:17 Cheirar cocaína.
11:43 Reunião com o prefeito Dudu Pacífico e seus secretários.
12:05 Reunião privada com o Dudu, esporrar em seu cuzinho adorável.
12:24 Suco de laranja.
12:30 Cheirar cocaína.
12:37 Suco de laranja com vodka.


quarta-feira, abril 17, 2013

Tornei-me Shiva, destruidor de mundos!



            Existo, logo estava num lugar existente quando comecei a sentir a coceira. Falo isso no sentido que habito a realidade, seja isso realmente possível ou não. Tomo decisões perante aquilo que a mim se apresenta, seja esperado, ou não; seja planejado, ou vindo de uma faca enfiada no peito por mão a que se dera ilusória confiança. A coceira vinha debaixo dos meus braços, ou talvez um pouco detrás deles, difícil dizer. Não necessariamente incômoda, mas também não confortável. Era um evento inexplicável, ou talvez fosse óbvio e só escolhera até então não prestar atenção nele. Acredito ter primeiro sentido os dedos, novos cinco dedos de cada lado, em cada nova mão, abrindo espaço entre as carnes embaixo, ou um pouco atrás dos meus outros braços. Sim, houve dor, há dor quando um braço novo cresce do seu corpo, imagina, dois. Saíram lentamente de inicio, mas depois já nos ante-braços se forçaram de uma vez só. É, dois novos braços no meu corpo, agora quatro no total, isso sim pode ser chamado de um evento. Não é algo que aconteça sempre, ainda mais numa quarta-feira à noite.

quinta-feira, abril 11, 2013

Lançamento do Parafuso no Espelho dia 24/04!

Confirmado o dia do lançamento do meu livro Parafuso no Espelho: Contos normais, surreais e nem tanto! O livro será lançado numa noite de autógrafos, dia 24 de abril, 19h, na sede da editora Oito e Meio.

Travessa dos Tamoios 32-C, Flamengo, Rio de Janeiro

Exibir mapa ampliado
Já criado também o site oficial do livro: www.parafusonoespelho.com!

E continua o projeto de crowdsoarcing criativo para a divulgação do livro. Leia sobre o projeto de forma mais detalhada clicando na imagem!


terça-feira, abril 09, 2013

Lobo do Meio-dia


Minha pele radioativa vibra sem parar com a realidade, pulsa com todas as vibrações e linhas ao redor. Tudo é puxado, tudo puxa. Corro, pulo, me sentindo acordar como um lobisomem ao meio-dia. Selvagem, lobo da estepe, querendo sair da cova, escalar prédios e uivar. Uivar e arrancar minha pele radioativa. Estou no centro da cidade, atravessando ruas nos momentos que outros hesitam passar entre os carros em velocidade, deslizando por figuras desengonçadas. Figuras embaçadas, gordas, mal vestidas, com horários a cumprir, certas dos passos que tem de dar, muito mais certas do que eu, mas diferente de eu, sem nenhuma escolha consciente sobre esses passos, só baixando a cabeça e obedecendo. Vejo tudo, tudo me vê. Decisões se reviram como baratas no cérebro, metade aceitando, comemorando, certas direções tomadas, certas palavras faladas, escritas, certos sussurros regurgitados, metade querendo tacar fogo em tudo, dizer que estava errado, que não devia ser assim, metade querendo pular um precipício, ou dormir até o próximo inverno numa caverna abraçado de uma pedra, e algumas se perguntando se já não foram metades demais mencionadas. Há possibilidade para todos os cantos, é só saber que linhas puxar, que fios de teias. Teias e mais teias, há milhares de pessoas ao redor sendo puxadas por teias e ninguém além de mim as vendo tão claramente. Vendo, mas nada fazendo, as baratas não sabem o que querem, só tocar violino e fumar charuto. Por isso que se taca fogo, para não ter mais escolha. Para ser lobo e só lobo, mas o que é lobo? Sempre foi lobo, a enfiar as garras nas fachadas de prédios, escalar e uivar. Para não ser mais o velho no quarto a esperar o convite do teatro mágico. “Só para os raros.” Só para os radioativos, só para os apaixonados, só para os loucos, malucos, que de tanto, são os mais conscientes e acordados na face da terra, só para aqueles que amam e gostam de gritar. 

quarta-feira, abril 03, 2013

Vamos fazer um filme!


          - Vamos fazer um filme! – me disse.
         Como assim? Estava roubando o meu papel, era eu quem sugeria esse tipo de coisa, não outras pessoas.
           - Continue – respondi.
      - Eu tenho uma idéia, você tem você e o equipamento, vamos fazer um filme! Eu faço tudo, você só tem de atuar nele! Não quer ser uma estrela de cinema? Não quer ser minha estrela de cinema?
      Confesso que não pude nesse momento controlar o sorriso. Se não já tinha me seduzido antes de outras formas, estava agora com certeza. Provavelmente, sou a pessoa mais confiante e determinada na face da terra, que também é terrivelmente carente de atenção. Geralmente sou eu quem a derrama em outra pessoa. Derrama e derrama e só recebe alguns respingos de volta. Sinto uma necessidade extrema de dar tudo aquilo que quero receber. Não posso controlar isso, é automático. Isso não ocorre só quando me apaixono, mas também no cotidiano, com pessoas as quais não sinto nada mais profundo, mas me chamam atenção de alguma forma, olhares tristes me desconfortam, sou forçado a fazer algo. Chegar e falar um: acorde, há vida ao redor, olhe, e viva, viva! Não há razão para ficar remoendo coisas por dentro, seja o passado, seja o futuro, só há o momento presente. Corra e dance, corra e pule, e sorria, sorria mais que tudo! Ok, não sou tão poético assim ou exagerado, mas já deu para passar a idéia.

domingo, março 31, 2013

Procura-se desenhistas, vídeo-artistas, músicos, criadores!

Olá, desenhistas, vídeo-artistas, músicos, criadores em geral, tenho uma proposta para vocês, quem quer brincar com as minhas criações? 

Estou no final de abril lançando um livro de contos Parafuso no Espelho: Contos Normais, Surreais e Nem Tanto pela editora Oito e Meio. Pretendo fazer uma campanha em massa de divulgação dele pela internet até o lançamento e tive uma ideia, fazer meio que um crowdsourcing para essa divulgação. Um crowdsourcing não de contribuição em dinheiro, mas de criatividade. 

Tenho um monte de contos nesse livro de diferentes gêneros: comédia, humor negro, surreais, romance, suspense, prosa poética; e quero ver como outros criadores podem brincar com isso; brincar, se inspirar, com os mundos que criei. Seja fazendo um desenho, uma pintura representando uma das histórias, (como o Marcelo Damm já fez para um dos contos que na época competia para outra antologia, veja abaixo) ou quem sabe algum vídeo (como eu mesmo já adaptei duas histórias que estão nesse livro, também veja abaixo), ou quem sabe mais além, uma música, quero um rock sobre o Senhor Bologodofos e as colegiais japonesas, haha! Sou aberto a todas as propostas! Alguém quer fazer uma performance no dia sobre a filosofia do "é batata"? Grite ai que quero escutar!

O que tenho a oferecer em troca, é que o que me mandarem, vou fazer um trabalho enorme divulgando. Se alguém quiser mais, no dia do lançamento posso te dar um aperto de mão, ou um abraço, ou podemos todos alegremente nos alcoolizar juntos! Terá cerveja grátis no lançamento!

Interessados, me mandem sinais de fumaça! Seja aqui no site mesmo, seja pelo email :
epicentronervosoproducoes@gmail.com, ou mandando mensagem pelo inbox do face mesmo: 
https://www.facebook.com/DanielMatosComBr

O que há no livro para brincar? Temos as aventuras jornalisticas de um certo Capivara na Nasa, o mundo assustador da Disneylandia, a religião do Michael Jackson, uma velha senhora com um machado, gente que ama, perdeu e virou poeticamente emo, um homem num buraco, uma tv abusada sexualmente, e falando em sexo, sexo nasal é claro, isso e muito mais!

O que irei fazer com o que me mandarem? Vou usar num site que vou criar para o livro, junto com uma divulgação através de redes sociais. E quem sabe, dependendo dos resultados, isso pode se amontoar para uma exposição no futuro. Não é um projeto em si só limitado ao lançamento do livro, mas para divulgação continua. Todos os direitos dos materiais enviados serão sempre dos artistas.

Quem quiser já uma amostra, há contos do livro que foram originalmente publicados no site do Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro:
Descida à pedreira, com a descida de um homem pelo mundo obscuro da Disneylandia!
Senhor Bologodofos e as colegiais japonesas, com esse grande herói do século XX!
Alô, alô, meu presidente! com as desaventuras futuras do presidente dessa famosa nação da América Latina, El Dourado!


Desenho do Marcelo Damm para o conto Crônica Póstumas de uma Capivara:

Curta adaptado do conto de mesmo nome Querido, não é meu!