Cinema, Principal

Be Kind Rewind de Michel Gondry

ou Uma ficção é uma ficção que é uma realidade Be kind rewind não trata unicamente de uma desmistificação do fazer cinematográfico, mas também de um jogo convulso entre mistificação do espectador por si mesmo e desmistificação da realidade como matéria rebobinável. Ao começarem a fazer suas próprias versões dos filmes de Hollywood, Jerry e Mike acabam [...]

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Cinema, Principal

Kinski

O papel de um ator não é assumir um papel, é ser este papel até causar uma explosão expressiva, é transformar o filme num emissor deste papel, é gritar com o diretor quando este não o filma o suficiente, é bater na fotografia quando esta não o ilumina direito, é saber se manter na produção [...]

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Cinema, Principal

No Silêncio da Noite de Nicholas Ray

Um romance trágico, um drama sobre a confiança entre um casal envolvido no mistério. O protagonista é Humphrey Bogart, ou seja um anti-herói trágico, sério, com poucas expressões faciais, que por acaso é um roteirista de Hollywood. A idéia é sair um pouco do esquema de filme Noir,  mostrar um assassinato, dar um mistério para [...]

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Cinema, Principal

O Homem de Ferro de Jon Favreau

Tony Stark não tem um vizinho tocando funk em uma de suas janelas, outro tocando forró na outra, e o esgoto passando por baixo de seu chão. Não! Nem passa o tempo vendo filmes, assistindo tevê, indo para lugares insólitos fazer coisas para outros, ou escutando outros lhe falando o completo inútil. Não! Ele acorda [...]

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Cinema, Principal

Stardust de Matthew Vaughn

ou Um Pó de Estrela na Brisa do Presente Nenhum amor pelos personagens, nenhum amor pela história, mas muito pelo romance. Herói tem de dar uma volta sobre o mesmo lugar onde sempre esteve para encontrar tudo que sempre quis. Pois, tudo só se decide atravessando a grossa muralha que corta a ilusão, do pó de [...]

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Estréia o mais novo clássico de horror da Epicentro Nervoso!

Parte 1:

Parte 2:

Boggart Bugiganga relembra o amor que marcou a sua vida.

A mais nova comédia da Epicentro Nervoso!

Mais um clássico da Epicentro Nervoso!

Suspense

Alô, Alô, meu Presidente

Posted on 06 março 2010

Publicado no site Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro
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Contos, Suspense

Matou a família e foi à roça

Posted on 27 fevereiro 2010

Publicado no site Cronópios.
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Contos, Suspense

É batata!

Posted on 27 fevereiro 2010

Publicado no site Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro
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Outros, Principal

Poemas de Mil Compassos

Posted on 27 fevereiro 2010

“Unindo forças através da ARTE, esses poetas mostram aqui que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos!”
Por Elenilson Nascimento
Uma antologia de poesias organizada pelo escritor Elenilson Nascimento que trás uma das minhas raras incursões na poesia: o poema Se há paz, sei que o faz.

Site do livro: http://poemasdemilcompassos.blogspot.com/

Site de compra: http://clubedeautores.com.br/book/4158–POEMAS_DE_MIL_COMPASSOS

Arquivo com as poesias em mp3: http://www.4shared.com/file/129157348/e2b961fe/Elenilson_Nascimento-Poemas_De_Mil_Compassos.html

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Contos, Outros, Principal

O Palhaço e o Macaco

Posted on 27 fevereiro 2010

Um palhaço que canta bêbado na noite púrpura, enquanto pássaros secretamente devoram seu cérebro, escondidos atrás de sua peruca.

Com um macaco, que segura a sua mão, proclamando para o vento, que segue à esquerda na vertical para a direita: “Perguntes não o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por si próprio, sob as decadentes condições de seu país”.

Com um carro que corre pela rua, onde ele se encontra, e com um maquinista que se joga pelo asfalto alaranjado.

Pois se o trem não vem, o carro atropela e se o trem já foi, a porta se abre.

Um palhaço que, assim, vê a porta. Com o macaco, ao seu lado, vendo o verde. Com os pássaros pedindo férias para voar pelo ar de papel entre os milhares de elefantes rosas. E com o maquinista pedindo um táxi.

O verde é um triângulo ou um turista da vigésima nona dimensão tirando fotos.

Mas se o laranja é a base e o púrpura o topo, aonde vai o azul?

“À minha casa” diz o palhaço ao pedir carona ao mamute que dirige o carro que talvez não tenha atropelado o maquinista, só a sua sombra que se chama Lago Sombrio.

Mas o macaco fica, respondendo ao palhaço que lhe pede um porquê: “Flores não tenho, nem uma sequer. Muito bem ativos estão todos meus três vulcões. Nunca tive paciência para arrancar as ervas daninhas que nascem pela manhã. E, por fim, apesar da terra crescer, seu preço só desvaloriza.”

Um palhaço que segue com o mamute sobre os trilhos do trem que acabam no lago que começa em sua peruca.

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Contos, Outros, Principal

Lobo

Posted on 27 fevereiro 2010

Um lobo a andar, um lobo a cantar, um lobo a pular. A andar sobre a areia do deserto, a cantar sobre as possibilidades a vir, a pular sobre o abismo aparente. O deserto vazio, o vazio eterno, a eterna incógnita, não há rosas a avermelhar. A areia múltipla, a múltipla repetição, a repetição devastadora, não há rosas a cheirar. O ar denso, a densa complexidade, a complexidade inútil, não há rosas a contemplar. Tempestade se compõe da areia, sem direção o deserto se faz, sem direção ao lobo que não necessariamente a tinha definida sobre suas mãos. Dentes contra cada ataque, dentes contra o ataque dos dentro de si próprios, ataques feitos ao lobo que se recusa a ser devorado. Corre o lobo sozinho no meio da multidão, corre a se recusar a ser devorado por tudo aquilo que não é o fora, por tudo aquilo que é dentro e só corroe, por tudo aquilo que só o faria mais solitário do que ele já é. Simplicidade do fora, simplicidade do que é, simplicidade do que nunca pode deixar de ser. Não há rosas, não há rosas, não há rosas. Nenhuma a cativar, nenhuma a escutar, nenhuma a guardar. Correndo no manto de areia, correndo a tropeçar, erros por demais caros se propagam por cada passo. Um novo lobo a cada levantar, um novo lobo a menos errar, um novo lobo a menos sentir. Lobo tomado da sede de destruir cada grão de areia que se apresenta em seu caminho. Destruir cada grão a trazer confusão ao simples, a apagar cada rosa de sua visão. A fazê-lo do lobo que persiste como tal, mesmo sabendo que lobo não é.

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English

Sex & Philosophy de Mohsen Makhmalbaf

Posted on 27 fevereiro 2010

OK, this is my first review here. I am pretty much writing it, because this was the best movie I saw at the 2005 Rio’s Film Festival and since then I have only seen people trash it. This is simply a beautiful poetic film about the definition of love and what it means for much of today’s relationships. I have to say that I disagreed with some of it’s conclusions, but that didn’t at all damaged my enjoyment. What more can I say? Everything is beautifully constructed in the screen: the car with the 40 candles, the empty plane, the stopwatch, the hands touching, the singing with the glasses, the city in the winter with the umbrella, … All followed by great music and some dancing (witch some critics thought should have been more meaningful, instead of just plan fun). Since I never saw a Makhmalbaf’s film before, I can only compare saying that its much like a Godard’s, but without his recent bitterness and with actually something to say (or at least with something I care about listening). Finishing, it’s about the search for the moments of happiness in life. Definitely a must for people tired of those boring narrative movies that cant seen to stop telling those same old dramatic stories with no originality in the scenes’ enrichment.

(http://www.imdb.com/title/tt0478260/usercomments)

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English

All the Days Before Tomorrow de François Dompierre

Posted on 27 fevereiro 2010

I saw this film international opening in the 2006 Rio’s Film Festival. And for me it was one of the three best I saw. François Dompierre first film is almost perfect, a story about love and memory. Great pacing, beautiful images and excellent music, which, although completely different in subject, made me remember in some ways in Sofia Copolla’s Lost in Translation.

All happens in one night, when Wes, a guy who knows what to remember, but has no action, receives a call from Alison, the girl he remembers, a friend and nothing more. She is in town, is leaving tomorrow and wants to see him. They have this one night to remember their past, all the days before tomorrow, all the days before she leaves again. Two summers ago, they meet, one summer ago, they traveled through the desert. They were happy together, but there was always a feel in the air for something more than just friendship. In his travel through his memory, Wes will be guided by the Doctor, an old man in a monochromatic landscape, who revels to him what he always knew, all the questions he never had the courage to make while awake. He needs time to understand there is no time. He needs time to understand that to finally fly, he needs to take action, to build eternity with Alison.

(http://www.imdb.com/title/tt0439115/usercomments)

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Filosofia, Principal

Eu, Decartes, Deus

Posted on 27 fevereiro 2010

Decartes inicia suas meditações para provar a existência de Deus a partir da analise de seu próprio conhecimento. Para isso, usa seu método científico, que consiste em primeiro não aceitar qualquer proposição que não possa ser dada como verdadeira, como tal, sem antes obter provas disso, acima de qualquer grau de dúvida; segundo, dividindo o problema no maior número de partes possíveis, para após poder analisá-las e solucioná-las em separado, fazendo-o de forma que comece pelas questões mais simples, a subir para o conhecimento das mais complexas; por fim, formulando uma proposição completa que não omita nenhuma outra questão. Assim, tendo isso em vista, Decartes inicia sua meditação por uma limpeza de tudo que possa ser opinião falsa embutida em sua mente. Começa por considerar que tudo que um dia lhe passou uma falsa percepção é duvidoso e, logo, mesmo não sendo necessariamente falso, não pode ser dado como verdadeiro. Para não se perder em analises infinitas, ele vai as bases de suas percepções, seus sentidos, chegando a conclusão que estes já o enganaram diversas vezes. Depois, passa para a analise da realidade, do mundo em si, e chega a conclusão que se comparar essa realidade com seus sonhos, não encontra nenhuma diferença de percepção. Nada o impede de sempre estar sonhando tudo ao seu redor. Porém, disso também chega a uma certeza, a realidade é duvidosa, mas suas faculdades perceptivas, não, elas se mantêm numa constante. Tudo que vê é organizado por figura, quantidade, espaço e tempo, o que não pode ser negado. Por fim, Decartes chega a conclusão que nem as proposições mais básicas podem não ser consideradas duvidosas, pois mesmo questões matemáticas como dois mais três igual a cinco, não podem ser dadas como certas, já que a própria lógica que as dá como certas, pode ser produto de uma enganação. O que abre a porta para sua questão, a existência de Deus. Pois um Deus bom não deveria permitir um mundo criado para enganar suas criações.

Descritas a dúvidas universais, Decartes vai em busca do que disso se manteve, e o que sobra é seu próprio pensamento. O pensamento que permite dizer que é, e que existe. Fica estabelecido, que se pode duvidar de tudo isso, logo pensa, e se pensa, logo é, existe. É um ser que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que imagina e que sente. Com toda sua dúvida, mas a partir dessa própria dúvida, isso pelo menos pode dar como certo. Uma certeza, não das maiores, mas o suficiente para começar. Começar concluindo que se há um mundo fora de si, este só pode ser acessado indiretamente, só pela mente e nada mais, por todas as idéias em si. Como prova, Descartes usa o argumento da cera, analisando que por nossos sentidos, nós podemos descrever certas características de um pedaço de cera: sua textura, cor, tamanho; porém ao levarmos esta cera ao fogo, ela muda completamente, e mesmo assim nós ainda a consideramos como cera, logo, não são nossos sentidos que dizem o que é a cera, mas nossa mente, nossas idéias, estas são a única constante. Pois, nossas idéias são as representações das coisas exteriores, não necessariamente sendo estas, mas são a constante que forma nosso conhecimento.

Estabelecidas suas certezas, que é e existe, já que duvida, e logo pensa, e que tudo no seu pensamento é feito de idéias, que podem ser representações de coisas exteriores, Decartes vai em busca da prova de Deus. Para isso, primeiro conclui que existem três tipos de classes de idéias: os desejos, os sentimentos e os julgamentos; e estás podem ser analisadas por questões de causa e efeito, podendo ser tanto de proposições falsas, quando somos enganados por nossos pensamentos, ou verdadeiras, quando não o somos. Estabelecido isso, também busca a possível origem de cada idéia, chegando também a três categorias: a das que sempre tivemos, que se originaram conosco, a das que criamos, que inventamos e a das que vem do exterior. Chegando a conclusão que todas essas idéias tem de ter uma causa primaria, uma causa a que representam mesmo que imperfeitamente. Até as inventadas, já que só podemos inventar algo a partir de algo existente. Tendo as idéias uma causa, e supondo que não há um Deus enganador, que nos ofereça uma lógica falsa, chega-se a conclusão que as idéias mais perfeitas, que mais se distanciam a qualquer dúvida, são idéias que representam as coisas exteriores com mais clareza. Pois, o quanto mais perfeita a idéia, mais próxima está ela daquilo que representa. Assim, se estabelecem as bases para a prova de Deus. Nós temos a idéia de Deus, que é um infinita e perfeita substância, logo está idéia deve ter uma causa, já que nada vem do nada. Uma causa que deve ter uma realidade formal tão perfeita como sua idéia. Só o perfeito pode causar a idéia do perfeito, logo, se não somos perfeitos, não podemos ser a causa do perfeito, não pode ser uma idéia que inventamos. Sua causa só pode ser uma também infinitamente perfeita, assim, há um Deus.

O primeiro argumento para existência de Deus parte, porém, da idéia que nossa lógica nos permite reconhecer certamente as idéias, e que não somos enganados por uma força exterior. Assim, outro argumento se faz necessário, um que prove que há um Deus, para provar que esse primeiro argumento não é um produto de uma enganação. Para formular o segundo, um acima de qualquer dúvida, temos que voltar, então, ao início, a certeza básica, que se alguém dúvida, pensa, deve existir. Se isso é dado como certo, logo essa existência deve ter uma causa. Primeiro, esse ser não pode ser a causa de si próprio, pois se dúvida e não sabe de tudo, não é perfeito, e não faria sentido ele ter se criado imperfeito. Segundo, não pode ter sempre existido, porque nada indica uma existência continua, além da presente. Terceiro, nada diz a origem a partir do  mundo exterior, a paterna, que nada prova além de um regresso infinito de perguntas sobre essa origem. Quarto, não pode ser originado de algo menos perfeito que Deus, pois se o fosse, tal coisa não daria a idéia de algo tão perfeito como Deus. Logo, esse ser que existe só pode ser originado de Deus. Com isso, se estabelece que se existe um ser que pensa, logo existe um Deus que o criou, um Deus perfeito e bom, que não lhe oferece uma realidade enganadora. O segundo argumento tanto sustenta o primeiro, como também serve de prova ontológica definitiva para existência de Deus.

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Filosofia, Principal

O Absoluto e o caminho da Natureza para ele, segundo Schelling

Posted on 27 fevereiro 2010

Schelling vai contra a nova vertente do realismo empírico, o idealismo empírico, ou seja, a união da relação causa efeito com a relação do afetar, para estabelecer o idealismo absoluto.

Baseando-se que o absolutamente ideal é também o absolutamente real e que fora disso só há uma realidade sensível e condicionada, uma particular, busca, tendo o saber como objeto, excluir todas as contingências, que muito bem podem ser estudas por outras ciências, para alcançar o incondicional e o absoluto desse objeto, alcançando o saber absoluto, ou o próprio absoluto em si, já que esses não se distinguem.

Estabelece, assim, que o objetivo da filosofia é alcançar este absoluto, com o absoluto ato-de-conhecimento, um saber em que o subjetivo é o objetivo, e não opostos, já que estes no absoluto são um. O absoluto é, enfim, tudo que tem identidade pura, só é igual a si mesmo, independentemente de subjetividade e objetividade, sem deixar de sê-los, sendo matéria e forma, sujeito e objeto. É a totalidade como idéia, eternamente, mesmo quando forma, como objeto, mesmo quando essência, como sujeito. E essa passagem de um para outro, não sai do absoluto, pois este é em si, esse agir. Sua forma é também essência e sua essência é forma. Reconhecendo-se na ação de gerar a partir da objetividade e da finitude, a subjetividade e a infinitude, atingindo uma unidade essencial entre elas, e na ação de dissolver sua objetividade em essência, chegando ao que realmente é: uma essência idêntica de ambos. É o sujeito, dissolvendo a forma na essência, e o objeto, formando a essência na forma, sem distinção, ou seja, num transforma a essência indivisa em forma, no outro, a forma indivisa em essência, é a total identidade, pois eternamente forma unidade consigo mesma. O absoluto é esse agir eterno, puro e uno, é a absolutez que só produz a si mesma. Tendo isso em vista, estabelece-se que as idéias são nada mais que sínteses da identidade absoluta e que as coisas singulares são apenas momentos do ato eterno de transformação da essência na forma. Logo, as coisas em si, são as idéias no eterno ato-de-conhecimento, e como as idéias no absoluto são só uma idéia, também todas as coisas são só uma essência.

O absoluto, porém, mesmo sendo um só, compreende dois lados, um real e um ideal. O real, é figuração do infinito no finito, é a unidade distinta, é, enfim, a natureza. A filosofia, então, é a ciência do absoluto, e a filosofia da natureza é a ciência que estuda seu lado real. O lado real do agir eterno, que é o espírito trazido à luz na objetividade, a essência introduzida a forma. A natureza ao se corporificar acaba por assumir uma forma particular, deixa de ser a natureza do absoluto que é una à do mundo ideal, e passa a ser um símbolo desta, estando fora do absoluto. Como símbolo, a natureza ganha uma vida independente daquilo que significa, e só é conhecida como forma. A filosofia da natureza apesar de sair do idealismo absoluto, acaba por se desenvolver por um idealismo relativo, já que compreendendo só um dos lados do ato-de-conhecimento, não pode alcançar o absoluto. As três potências encontradas no agir da filosofia da natureza, as que distinguem seu desenvolvimento, são a estrutura do universo, a figuração do infinito no finito; o mecanismo universal, a re-figuração do particular no universal ou essência; e o organismo, a uni-figuração do real ao ideal. No mais completo organismo, apresenta-se a completa imagem do absoluto, ou seja, na razão que o contempla apresenta-se a mais completa imagem real e ideal desse absoluto. Enquanto isso, a designação dessas mesmas potências no lado ideal, a partir da essência, transformadas segundo a forma, está fora de nossa esfera de conhecimento.

Conclui-se que a completa exposição do mundo intelectual nas leis e formas do mundo, ou o conceber completo dessas formas a partir do mundo intelectual, em parte já foi realizado pela filosofia da natureza, ou está em via de ser realizado por ela. A filosofia da natureza parte de princípios certos em si, sua direção está contida nela mesma, assim os fenômenos, por si mesmos, são colocados no único lugar que podem ser compreendidos como necessários, e este lugar é a única explicação que ela pode nos fornecer sobre eles. Desta forma, estabelece-se que a filosofia só pode seguir em seu caráter idealista, com um retorno a interioridade, para alcançar o mundo real, a partir do desmantelamento das finitudes criadas ao redor da natureza, buscando a objetividade de seus segredos, para na totalidade objetiva, com a completa identidade absoluta, unificar os mundos real e ideal.

Resumindo, o que Schelling conclui, é que tudo que é, é determinado por um único elemento, ao qual ele chama de absoluto. Um absoluto que é uno, mas que para nossa compreensão precisa ser dividido em dois, em real e ideal, apesar desses ainda serem os mesmos. E que nós, com a nossa razão, temos contato com uma versão simbólica do real, ou seja, temos um contato com os fenômenos e não com a coisa em si. Assim, para alcançar o saber absoluto, ele estabelece que o homem, através da filosofia da natureza, deve conhecer esses fenômenos em sua totalidade, para dai, através de uma constante mutação entre subjetivo e objetivo, ir buscar a coisa em si, a natureza, o real, e desta, o ideal, já que são os mesmos, por fim, contemplando o absoluto.

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